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FAO cobra investimentos na África
Os países industrializados deveriam aumentar seus investimentos na África para impulsionar o desenvolvimento na região, na opinião do senegalês Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (agência da ONU para agricultura e alimentos). "Os Estados Unidos, juntamente com os países desenvolvidos, possuem os recursos necessários para ajudar os países africanos. Eles podem influenciar positivamente a abordagem dos problemas mais sérios do continente que são a fome e a miséria", disse Diouf à BBC Brasil. O diretor-geral da FAO afirmou que gostaria que a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à África tivesse resultados práticos, com maiores investimentos de recursos americanos na produção agrícola da região. "Se como resultado da visita do presidente Bush, tivermos mais investimentos na agricultura, que proporciona o principal meio de vida ao povo africano, acho que será um elemento importante", avaliou. Relevância A agricultura provê o sustento para 70% da população africana e é o setor líder na economia da África, de acordo com a FAO. No entanto, a agricultura na região vem enfrentando dificuldades, com uma substancial queda de produtividade e de produção nos últimos anos. A média de rendimento das lavouras de cereais na África é a metade da América Latina e um terço da Ásia. Aproximadamente 200 milhões de pessoas, um terço da população da África, são cronicamente subnutridas, segundo a agência da ONU. De acordo com a FAO, cerca de 40 milhões de pessoas estão atualmente enfrentando emergências alimentares por causa de desastres naturais ou provocados pelo homem. Estimativas da agência indicam que 7 milhões de trabalhadores agrícolas morreram de Aids na África Subsaariana desde 1985, e outros 16 milhões podem morrer da doença até 2020. Acesso a mercados Diouf também reclamou da dificuldade de acesso ao mercado dos países desenvolvidos e dos subsídios que afetam os pequenos agricultores. "Gostaríamos que houvesse um mercado mundial mais equilibrado para os produtos agrícolas", disse Diouf. "O setor agrícola dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) recebe US$ 1 bilhão por dia. Logicamente, isso cria condições sob as quais os países africanos não têm como competir." "Além dos problemas dos subsídios concedidos aos agricultores europeus, existe ainda a questão das tarifas. A tarifa média de importação de commodities agrícolas nos países ricos é de 60% para grãos e produtos frescos e de mais de 100% para produtos processados, contra apenas 5% para os produtos industriais", disse o diretor da FAO. Investimentos No entanto, de acordo com Diouf, a questão comercial não é o único componente importante desta equação. Na avaliação do senagalês, mesmo sem os subsídios e com a retirada das barreiras tarifárias, muitos países pobres não teriam condição de responder às oportunidades criadas. "Esses países são afetados por condições climáticas extremamente desfavoráveis como secas e enchentes", explicou. "Por isso, ao mesmo tempo em que estimulamos o estabelecimento de um mercado mais igualitário, também ressaltamos que os países mais pobres só irão se beneficiar de fato com investimentos diretos permanentes como a construção de sistemas de controle de volume de água." "Apenas 7% das terras aráveis da região subsaariana são irrigadas, quando na Ásia este percentual chega a 40%. A capacidade rodoviária da África é equivalente a que existia nas regiões rurais da Índia na década de 1950. Portanto, fica claro que é preciso investimento para criar as condições básicas que atualmente são inexistentes", disse. |
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