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Atualizado às: 22 de fevereiro, 2004 - 14h20 GMT (11h20 Brasília)
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Blog do Gringo no Samba: Buscando energias para continuar
Matthew Exell
Matthew não conseguiu acompanhar a energia dos brasileiros
Matthew Exell é de Sheffield, norte da Inglaterra, um lugar praticamente intocado pela influência tropical do Brasil. Ele está cobrindo o Carnaval do Rio para o Serviço Mundial da BBC e a BBCBrasil.com pediu a ele que enviasse suas impressões sobre a festa. Mande seu comentário pelo formulário ao lado e leia o que os internautas estão dizendo no pé da página.


Verdade seja dita: os brasileiros têm energia.

Eu não sei qual é o combustível, não sei se é assim o ano todo, mas de onde venho, as coisas vão um pouco mais devagar.

Por exemplo, veja os pubs na Inglaterra. Às onze da noite, todos fecham, e a gente é obrigado a ir para casa. Tudo bem, não é assim uma noitada, mas é tempo suficiente para a gente ficar bêbado e se divertir. E significa que podemos sair todas as noites, porque raramente vamos dormir muito tarde.

Mas aqui? Como vocês sabem, estive no Bloco das Carmelitas na sexta-feira. E, na concentração, o principal assunto era o bloco da manhã seguinte, o Cordão do Bola Preta, nas ruas do centro. Um bloco de manhã? Depois de uma noite dessas? "A que horas?", perguntei esperançoso. Nove da manhã foi a resposta. Isso dá medo.

Justamente quando eu começo a acreditar que estou pegando o jeito da coisa e que em breve vou brincar o Carnaval como um verdadeiro carioca, descubro que, depois de passar a noite toda dançando e tendo bebido pelo menos dez caipirinhas, tenho que acordar dentro de quatro horas para ir a outro bloco. Dançando e bebendo de novo. A esta hora da manhã?

"Isso não é nada", me dizem meus amigos cariocas. Na verdade, eles se gabam. Em outras cidades brasileiras, há blocos ainda maiores e que começam em horas ainda mais improváveis. Socorro! E vocês ainda querem que eu vá para lá? Como se espera que eu sobreviva a uma maratona dessas?

De onde venho, não fazemos coisas desse jeito. Os pubs só abrem por volta do meio-dia, e é então que começamos a beber. E eu, em particular, não sou exatamente um madrugador… A manhã não é o meu melhor momento do dia. Mas vou tentar dar o melhor de mim mesmo. Sou um gringo determinado e estou aqui para provar o verdadeiro Carnaval do Rio.

Penso com os meus botões que não pode ter tanta gente assim em um bloco que sai no sábado de manhã. Afinal, quem é que vai querer acordar tão cedo depois da primeira noite de Carnaval, só para começar a dançar e beber de novo, no meio de uma ressaca terrível, quando ainda há mais quatro dias e noites pela frente?

Mas, de qualquer jeito, tento me preparar para o desafio. Faço questão de tomar bastante cachaça no meu primeiro bloco, e todo mundo me diz que é um bom combustível. O samba do Salgueiro sobre cana-de-açúcar diz que o combustível do futuro é brasileiro… Eles só podem estar falando da cachaça!

Um pouco de caldinho de feijão também é uma boa opçãol. Enche a barriga, é o prato nacional e, se funciona para os brasileiros, acredito que também deva funcionar para mim. A não ser que os meus motores ainda não estejam adaptados. Mas devem estar, acredito, porque a cada dia me sinto mais e mais perto de me tornar um carioca…

Foliões no Rio
Enquanto isso, os foliões seguiam com a festa mesmo depois do fim do bloco

Taí, problema resolvido, penso eu, tenho o combustível certo para a jornada. Estarei lá, vou provar o Carnaval do Rio e vou provar para todo mundo que esta história de bloco de manhã cedo não pode ser o melhor bloco da temporada.

Mas, quando acordo no sábado de manhã, não é mais de manhã. Ligo a TV. A imagem está meio embaçada, algo deve estar errado com o aparelho. Não, é algo errado comigo, porque quando pisco a imagem melhora. Vejo milhares de pessoas nas ruas do centro. Elas parecem genuinamente felizes de estarem no Bola Preta. "Como é que elas conseguem?", me pergunto. E a minha cabeça dói. Muito. Tenho problemas no motor. E ainda é só o começo.


"Pobreza no Brasil é cultura. Ser pobre é fashion, é o must, etc.. Todos os meios de comunicação fazem a apologia à pobreza. Quando vem um presidente de um país estrangeiro para visitar o Brasil, tem três coisas que estão no protocolo do Itamaraty: 1. Almoço com as bahianas do ACM dançando ao fundo; 2. Visitar uma favela no Rio de Janeiro; 3. Visitar uma quadra da escola de samba, com uma mulata dançando. Essas imagens vão para o satélite, o mundo inteiro vê isso, querem que eles pensem o quê???"
Jefferson Magalhães, Florianópolis (SC)

"Eu particularmente não gosto de Carnaval, mas moro em Londres e os ingleses acham que o Brasil inteiro pula Carnaval durante quatro dias, quando digo a eles que este não é o meu 'cup of tea' eles ficam surpresos, enfim acho o carnaval maravilhoso e admiro os carnavalescos e toda a festa, porém poderíamos mandar notícias mais reais do nosso Brasil, afinal nem tudo é Carnaval."
Joset, Londres (Inglaterra)

"Apesar de todas as mazelas, o brasileiro é um povo que sabe se divertir, e o faz como ninguém mais nesse mundo. Falo com conhecimento de causa."
Fernanda Rubinger, Belo Horizonte (MG)

"Cachaça??? Cuidado, gringo! Fica no caldinho de feijão ou no de mocotó. A euforia pode ser conseguida com umas cervejas intercaladas com os caldinhos. Vocês comprimiram no 'horário do pub' o que fazemos durante 24 horas de Carnaval."
Bemildo A. Ferreira Filho, São Paulo (SP)

"Matthew, você realmente parece ser gente fina, mas eu gostaria de te lembrar que nem todos os cariocas (e também demais brasileiros) gostam de Carnaval. Eu, por exemplo, abomino o fato desse país parar por quatro dias seguidos, ainda mais com a crise econômica em que vivemos. Não curto também virar a noite, pois sou muito trabalhador e estudioso. Logo, o Carnaval em nada me anima, sobretudo pela exposição exagerada de corpos nus, tão valorizada pela mídia. Infelizmente, é essa a imagem que passam do meu país lá fora. Sabe, com desemprego, analfabetismo, exploração infantil, prostituição, violência e corrupção, as pessoas querem de qualquer maneira provar a si e para os estrangeiros que esse é um país feliz. Será? Roma dava 'pão e circo' para o povo."
Celso Pinheiro, Rio de Janeiro (RJ)

"Matthew, pela sua narrativa, você parece ser um gringo maneiro, apesar de eu estar em Brasília a trabalho não deixo de pensar em carnaval, apesar de Brasília ser meio "Sheffield" , as coisas aqui também vão devagar, espero que você curta bastante e revele para a Inglaterra e o mundo que o Brasil é maravilhoso, um abraço e que você tenha muita energia."
Max Couto Steegmüller, Brasília (DF)

"Com tantas decepções durante o ano com desemprego, violência, corrupção na política, etc, esta energia e alegria é um meio de tentarmos esquecer tudo isso."
Lúcio Furuta, Minokamo (Japão)

"Eu tenho muita dó desse gringo... tudo bem que ele vai sofrer um pouco, mas voltando ao Reino Unido ele vai fundar uma escola de samba e comprar um alambique de cachaça só para matar as saudades do carnaval."
Rodrigo Almeida, Londrina (PR)

"Este gringo não será o mesmo, após esta experiência carnavalesca no Rio."
Marcelo Cavalcante

"O carnaval é a única época do ano em que todos acreditam nas fantasias que vestem, e isto é o que de mais importante há! Se um gringo crê ser carioca então,com certeza, ele está divertindo-se muito."
Fábio Luís, São Paulo (SP)

"Nem todo brsileiro gosta de carnaval.A impressão que se passa a esses gringos é de um pais mergulhado na farra,totalmente pitoresco com seus "nativos" nus, bebados e curiosamente despreocupados com relação a sua condição indigente."
Denise, Curitiba (PR)

"Valeu!!! Achei super legal a narrativa e não fico nada ofendido de ser chamado de nativo, pois somos(cariocas) exatamente assim. Alegres, sacanas, dançantes, descontraídos, amantes do sol, das praias, do verão, da "mulhegada", do Mengão, da Verde-e-Rosa, e por aí vai ..... É sempre um grande prazer dividir a nossa Cidade Maravilhosa com todos os nativos de outras partes do mundo. Todos são nativos de algum lugar."
João Batista A. Fernandes, Rio de Janeiro (RJ)

"No começo, como vários, também me incomodei com a expressão nativo. Mas depois pensei que gringo tbém não é muito diferente. Enfim, tenho certeza que no final ele vai adorar. Boa sorte para ele e recomendo da próxima vez ir para Recife e ver um verdadeiro carnaval de rua."
Hermann S de Almirante, Osasco (SP)

"Olá Matthew. Nosso povo assim mesmo:alegre,irreverente,cheio de energia,aprenda um pouco a ser feliz aqui conosco."
Fernando Vieira, Salvador (BA)

"Meu filho : você está no lugar errado. Se não tem samba no pé, não tem como acompanhar os brasileiros."
Edson Zerati, Votuporanga (SP)

"Matthew, caia na farra e aproveite que essa bagunça é só uma vez por ano!"
Júlio Valério, Espírito Santo do Pinhal

"Vejo que somos um país, em desenvolvimento. Buscamos sempre estar com nossas energias concentrada. Já no país do nosso colega Matthew, o ritmo é outro. Nesta época, tristeza é superado sempre alegria PRESENTE."
Carlos Adriano, Porto Velho (RO)

"Talvez canalizando todas essas energias para outras áreas os brasileiros conseguissem que o Brasil fosse, finalmente, o "país do futuro" há tanto tempo esperado e para o qual possuem matéria prima mais que suficiente."
Eduardo, Benavente (Portugal)

"Qual o interesse de sabermos a opinião de um gringo sobre a cultura brasileira (ou melhor dessa cultura carnavalesca apenas)? A resposta é clara: Turismo! O Brasil atrairá mais gringos no futuro...no entanto é essa cultura sexual que os atrai e nada mais (sem esquecer a beleza natural)...preferiria que as razões que tornassem o Brasil atraente no exterior fossem outras (como segurança, educação, distribuição de renda,...)...Me diz aí Matthew o que você vai contar para os seus amigos da inglaterra de como é o Brasil com seus "nativos" porrados e pelados pelas ruas?"
Rafael C. Mendonça, Niterói, (RJ)


Matthew Exell, produtor do Serviço Mundial da BBC, está produzindo uma série de reportagens de rádio em inglês sobre o Carnaval brasileiro, que você poderá ouvir no site dos programas:


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