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Blog do Gringo no Samba: Esquentando os tamborins | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Matthew Exell é de Sheffield, norte da Inglaterra, um lugar praticamente intocado pela influência tropical do Brasil. Ele está cobrindo o Carnaval do Rio para o Serviço Mundial da BBC e a BBCBrasil.com pediu a ele que enviasse suas impressões sobre a festa. Mande seu comentário pelo formulário ao lado e leia o que os internautas estão dizendo no pé da página. Minha primeira experiência em um bloco foi no Carmelitas, em Santa Teresa, na sexta-feira antes do carnaval. Eu me sentia como um virgem: animado, mas um pouco nervoso. "E se eu me perder na multidão?", pensava. Um gringo solteiro no Rio de Janeiro? Os perigos parecem óbvios. Não que essa seja minha condição, mas é melhor ficar previnido. Felizmente meus novos amigos brasileiros se ofereceram para prender uma etiqueta em meu pescoco – “por favor, devolvam este gringo idiota para…”. Antes do bloco, no entanto, tem uma coisa que eles chamam “concentração”. Nao sei se tenho paciência para isso. Eu sei que carnaval é coisa séria para as pessoas daqui, mas de onde eu venho não é preciso se concentrar muito para aproveitar uma festa! Talvez eu pule essa parte, dê uma deitada, tome um banho um pouco mais longo. Estou aqui para a festa, nao para alguma reunião chata antes de a festa começar… Pouco sabia eu. Como poderia? Mas eu aprendo rápido… A casa da concentração fica no alto de uma ladeira. Para chegar é fácil e eu, desavisadamente, não prestei muita atenção nos traiçoeiros degraus. A vista é da Baía da Guanabara, dá para ver os aviões pousando no aeroporto Santos Dummont. E, segundo me disseram, para chegar ao bloco, basta descer a ladeira. É fácil. Depois da terceira caipirinha, começo a rir sozinho. Afinal de contas, a concentração é divertida, penso eu. Já na sexta caipirinha começo a achar que a concentração é a melhor idéia que já encontrei no Brasil. Todo mundo balança a cabeça, aquiescendo. Eles já sabiam disso. Mas isso não impede que eu tente convencê-los da minha mais nova conclusão. De algum modo, rolei ladeira abaixo. Eu nem me dou conta do começo do bloco. Mas em algum momento pré-arranjado, quando a bebedeira geral está perto do ápice, nós, de algum modo, já estamos no meio da festa. Isso é tão tipicamente brasileiro, penso eu, em um momento de clareza: nunca cedo demais mas nunca, nunca tarde demais… A gente dança e tropeça rua abaixo, o movimento de nossos corpos reflete a confusão alegre de nossas mentes. A gente canta e balança as mãos no ar, sorrindo enlouquecidamente para os estranhos e amigos, sem saber mais se somos nós ou o caminhão de som liderando o caminho. Nós somos o bloco, a vontade dele é nossa, e as latas de Brahma e Skoll das quais bebemos são intermináveis. E então, a certa altura – nem muito cedo, nem muito tarde – a música pára. Sem nenhuma ordem para que seguíssemos adiante, meus pés viram para o lado e meu corpo se encosta placidamente em um muro. Nem adianta olhar em volta e tentar descobrir onde estou. Em algum lugar de Santa Teresa, obviamente, já que o circuito do bloco não muda, por mais que a gente já não consiga mais reconhecer os lugares. Se olhar para a esquerda, continuo vendo a vista da Baía de Guanabara. Não posso estar muito longe. Graças a Deus tenho a etiqueta pendurada no meu pescoço. Pelo menos vou chegar a casa com esta referência. Porque, não importa o quanto eu tente, me dou conta de que não há meios de eu me concentrar em mais nada… Para saber mais sobre a viagem de Matthew ao carnaval, você pode visitar os websites dos programas Outlook (checar o site, por favor), The Ticket (idem) e The World (www.theworld.org), uma co-produção do Servico Mundial da BBC e da Rádio Pública Internacional. "Abraços, Matthew, aproveita que você nunca mais vai esquecer do carnaval e provavelmente vai mudar de opinião que os brasileiros são todos índios." "A palavra "nativos" usada pelo grindo não significa necessariamente preconceito. Eu poderia estar em Londres e, lá, dizer os "nativos londrinos" e não significar preconceito. Vamos deixar de ter complexos. Aqui, em Belo Horizonte, eu acho que os nativos são desconfiados. Neste caso, há um fundo de verdade. Von Martius e Spixx quando estiveram por aqui, há mais de 200 anos, acharam os índios desconfiados (e com razão). Os índios se foram mas os belorizontinos continuaram desconfiados ou , para ser mais preciso, os mineiros em geral." "O carnaval é uma das características marcantes da cultura brasileira porque o próprio povo brasileiro tem o dom de ser criativo." "Acho que os brasileiros, principalmente os que vivem no exterior estão esquecendo o português. Vejam no dicionário, o significado da palavra "nativos". Relaxem (sei que é difícil vendo o carnaval brasileiro de fora) como os cariocas e deixem o gringo curtir. Ele vai acabar amando, a sua maneira, o melhor carnaval do universo" "Caríssimo gringo. Recomendo um outro cuidado que você deve ter ao ir à praia no Rio. Nunca saia da água e deite direto na aréia, caso contrário você ficará paracendo um bife amilaneza." "Muito divertidas as impressões dele sobre o nosso carnaval, com muito humor, parece até um filme cômico. Aproveite ao máximo, aposto que você não vai querer mais ir embora para sua terra." "O Matthew Exell tem descrito o carnaval do Rio e as experiências pessoais de uma maneira bastante divertida e agradável de se ler. Espero que ele seja capaz de transmitir ao pessoal do norte da Inglaterra, a alegria, a beleza e a seriedade da nossa festa. É bom que ele não esqueça de citar a capacidade que o povo brasileiro em geral possui, de receber e tratar bem os gringos." "Os gringos são assim mesmo. Chegam aqui reclamando e julgando tudo mas depois de 1, 2 semanas, já estão adorando as coisas daqui, principalmente a atenção que recebem!!! Exatamente como está acontencendo com o Matthew!!!" "Acho que há coisas mais interessantes que muitos não sabem sobre o Brasil a serem mostradas no exterior." "Pobre gringo! Provou do fruto do conhecimento e a partir deste carnaval nunca mais voltará a ser o mesmo... Coitado, vai morrer de tédio quando voltar para a sua formal, pérfida e fria Inglaterra! Viva os nossos trópicos e tudo que temos aqui!!" "Já deu para perceber que o inglês está mais relaxado, menos crítico... é isso aí, bom perceber que ele está perdendo aquela imagem preconceituosa que a maioria dos estrangeiros tem do Brasil... temos violência sim, mas temos também gente boa e muito calor humano!!! E viva a caipirinha!!! Enjoy man!!!" "Não é que eu seja mal humorado, mas gostaria de saber se vocês não têm mais o que fazer ao invés de ficar se preocupando com o que os gringos irão fazer." "Carnaval no Brasil é assim, alegria do Norte ao Sul e de Leste a Oeste. Alegria essa para ser gasta no restante do ano. Bom não conheço a Inglaterra mas lá há comemorações que movimentam centenas de pessoas para festejar a alegria?" "É isso aí meu velho, logo logo acaba essa sua agonia. Daí é bravo, pois a agonia posterior é que chegue o carnaval do ano que vem!" "Que importa o que o inglês acha! Como ele está no Brasil, ele vai dizer que é uma maravilha, que adora. Mas a realidade não é esta. Basta você não ter a cara de brasileiro que eles soltam a língua e falam o que realmente pensam." Matthew Exell, produtor do Serviço Mundial da BBC, está produzindo uma série de reportagens de rádio em inglês sobre o Carnaval brasileiro, que você poderá ouvir no site dos programas: |
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