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Blog do Gringo no Samba: Enturmando na Mangueira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Matthew Exell é de Sheffield, norte da Inglaterra, um lugar praticamente intocado pela influência tropical do Brasil. Ele está cobrindo o Carnaval do Rio para o Serviço Mundial da BBC e a BBCBrasil.com pediu a ele que enviasse suas impressões sobre a festa. Esta é a segunad parte. Mande seu comentário pelo formulário ao lado e leia o que os internautas estão dizendo no pé da página. Tendo vindo ao Rio para cobrir o carnaval para o Serviço Mundial da BBC, acabei indo a lugares pouco comuns para um turista estrangeiro, para cumprir minhas funções. Fui ao Morro da Providência, ao Sambódromo, a ensaios de blocos e aos barracões de algumas escolas de samba encontrar minhas histórias. Do lado de fora, o barracão da Mangueira lembra um enorme tijolo assando no sol do meio-dia. Dentro, vejo um monte de gente trabalhando duro para aprontar tudo dentro do prazo: entre eles, exultante e sorridente, uma americana! Rachel, de Massachussets, me fala da forte conexão que ela encontrou com o Rio, e sobre os meses de cuidadoso planejamento antes de vir morar no Rio por uns tempos, para aperfeiçoar seu português. Finlandesas Ela me explicou como economizou dinheiro nos Estados Unidos e depois pesquisou na internet para encontrar um emprego em uma das escolas de samba pouco antes do carnaval. Nesta hora eu me pergunto por que alguém gostaria de trabalhar de graça em um dos lugares mais quentes da Terra, no alto verão carioca, quando provavelmente não entende patavina do que se passa em volta dela. Mas vale tudo quanto se trata de fazer a alegria de um gringo. A Rachel parece estar realizando o sonho de viver uma outra vida, uma vida com a qual ela sonhou, que ela planejou para si mesma, e que ela imaginou perfeita.
Ela parece genuinamente feliz com sua nova vida de colar coisas no barracão, o que me faz pensar que, talvez, eu também devesse ter um sonho para este carnaval… Por enquanto eu não passo de um gringo tentando entender o samba e acho que, provavelmente, tenho certa inveja desta americana que já parece estar tão adaptada. Mas coisas ainda iam piorar. Na mesma noite, vou a um ensaio na quadra da Portela, em Madureira. Me sinto orgulhoso apenas de estar aqui, ciente de que muitos cariocas nunca foram tão longe para experimentar o verdadeiro samba. Então este é o “berço do samba”, lar de sambistas clássicos e compositores? É, já começo a me sentir meio malandro… Este é o tipo de história que quero contra aos meus colegas quando voltar para casa, para impressioná-los e me sentir melhor. Depois de algumas horas aproveitando o samba, aprendendo a coreografia e achando que já estou no controle da situação, vejo três visões nórdicas, louras e altas se dirigindo à multidão. Concorrência Quando me aproximo das três, descubro que são da Finlândia. Os três fantasmas gringos pálidos estão de mini-saia, salto alto e maquiagem pesada nos olhos. Elas parecem estranhas versões de positivo-negativo das tradicionais mulatas do samba. Greta, a mais simpática, me disse que este é o sexto ano que ela vem passar o carnaval no Rio, e que é o terceiro ano que ela sai de passista na Portela. Ela ainda me disse que é um pouco difícil falar inglês comigo porque ela tem falado muito português nos últimos dias. Eu me sinto pequeno, muito pequeno. Quando pergunto como ela conheceu o samba, ela responde em um tom de voz resignado, quase entediado, que ela é integrante de uma escola de samba na Finlândia há 11 anos, como se o carnaval e o samba fossem tão típicos da Finlândia como a pesca do arenque no sol da meia-noite. Bem, eu não fazia a menor idéia. Assim como nunca tinha ouvido falar de passista japonesa, mas, aparentemente, elas também existem. Tenho que confessar que, no fim do dia na Mangueira e na Portela, me sinto mais do que um pouco decepcionado. Parece que eu já não sou o único gringo no samba. E, pior, estou de longe de ser o melhor adaptado. Ainda. "É isso aí, Matthew! É preciso dizer que o carnaval do Rio se "globalizou" (no pior do conceito), e hoje está mais para show da Broadway do que para Escola de Samba! Uma dica: se quiser ver o genuíno carnaval carioca, procure ir onde o pobre está, vá aos subúrbios cariocas e se misture com o povo mais humilde. Este povo que está ausente das grandes escolas de samba e grandes blocos por falta de dinheiro, ainda se diverte à moda antiga - e brasileira." "Vamos relaxar, pessoal. O cara até que está se esforçando. Cair na loucura que é o Rio durante o carnaval, ainda mais sendo gringo, não é para qualquer um. Mas aposto que até a quarta-feira de cinzas ele sai bem "aculturado"." "É uma pena que esse gringo tenha uma visão pequena do que realmente é o nosso Brasil." "O carnaval do Rio se transformou nos últimos anos num carnaval pra inglês ver mesmo." "O leitor abaixo, Marcelo, da cidade de Batatais, não entedeu ao comentar que o "gringo" Matthew comentou sobre os nativos..... Marcelo achou que nativo é índio... Marcelo pelo amor de Deus, nativo é quem nasceu no lugar, parece óbvio né !!!!! Vem de nato, nascido e assim vai..." "Ir para os trópicos observar os nativos em seu ambiente natural". Só por isso esse "gringo" já merecia ser deportado. E não importa se ele está no Rio, São Paulo, Recife ou Salvador, ele está falando do Brasil" "Ele escreve sob um ponto de vista que arrisco dizer etnocêntrico. Parece um etnólogo ou antropólogo "observando" os hábitos e costumes de uma cultura alienígena. "Pera aá" Mathew, a essa altura todo mundo já sabe que você é gringo, a true Englishman...mas cê tá no Rio, poxa! Desencana! Quem me dera estar aí vendo todas essas maravilhas...tô aqui na sua terra curtindo frio e chuva. Nao por isso. Aprendi a gostar daqui, assim. So, enjoy this Rio experience, but for that to happen, you'd have to bare yourself from any expectations or preconceived ideas you may have. We are not alliens! Neither the ones who come to join us." "Matthew Exell tem uma visão caricaturesca em relação ao Carnaval. Ninguém precisa se fantasiar de coisa alguma para participar da festa. Os "amigos", num comportamento bem brasileiro, devem estar brincando com a credulidade do britânico e ele leva a sério." "Para um gringo, como ele se retrata, ele tem uma concepção certa do que é o Saara. A meu ver, ele deveria curtir a bela festa com total criatividade, sendo ele mesmo. Beijos." "Apesar de ainda estar um pouco "chocado" com o jeito carioca de ser, Matthew está no caminho certo para curtir o melhor carnaval do universo (um pouco pretenciosa, mas todo bom carioca da gema o é). Boa sorte Matthew!! Espero que você leve uma ótima impressão da minha gente." "Este gringo não se parece com o pessoal que encontrei na Inglaterra. Está com um ar muito superior!!!" "Acho que a foto que foi colocada aqui dá a impressão que todo "gringo" que for para o Brasil vai ter várias garotas a sua disposição. Mas isto não é totalmente verdade. "Para os trópicos observar os nativos" .... você dá uma conotação negativa com esta sentença. "O carnaval brasileiro é sensacional, é um autêntico delírio, quem me dera poder estar aí a desfrutar esta beleza." "Se o cara vier com colete à prova de balas, sobrevive numa boa." "Curioso. Ajuda a ver o carnaval pelos olhos de outra cultura." "Matthew, divirta-se bastante esse ano no Rio de Janeiro, mas ano que vem você deveria passar em Olinda e Recife e ter novas experiências para contar. O convite está feito." "Não querendo ser chato, e também não tem nada a ver, mas chamar nós de nativo demonstra outra vez que eles nos vêem como índio." "Sua impressão é típica de um um gringo. Nunca fui a Rio, mas quero muito. Na minha cidade só existe carnaval de salão - que no Rio tem bastante também. Joinville é essencialmente industrial - dizem que é a "Manchester" catarinense. Bom divertimento para você no carnaval carioca." "Muito bom!!! Espero mesmo que ele arrume uma fantasia que não seja de gringo. É mais seguro!!! Estarei acompanhando." "Feliz deste gringo que na verdade é do contra. Eu estou a 400 Km de distância e nunca fui, se ele continuar raclamando manda ele de volta. Ele não pode deixar de conhecer o maravilhoso carnaval cultural do resto do Brasil. Se não vai ser a mesma coisa de sempre." Matthew Exell, produtor do Serviço Mundial da BBC, está produzindo uma série de reportagens de rádio em inglês sobre o Carnaval brasileiro, que você poderá ouvir no site dos programas: |
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