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Atualizado às: 19 de janeiro, 2007 - 21h49 GMT (19h49 Brasília)
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Cientistas testam poder letal da gripe espanhola
Vírus da gripe espanhola
Descobertas sobre o H1N1 podem jogar luz sobre epidemia de H5N1
Cientistas da Universidade de Wisconsin avançaram no conhecimento de como agia a gripe espanhola de 1918.

Em artigo publicado na revista científica Nature, eles relataram a experiência de testemunhar o extraordinário poder da epidemia, uma das maiores da história, causada pelo vírus H1N1, na esperança de usar os conhecimentos para evitar uma possível epidemia da gripe aviária.

À falta de tecidos preservados tirados de pacientes da época, os cientistas exumaram o corpo de uma vítima enterrada no gelo do Alasca, e conduziram os experimentos em instalações de "biossegurança máxima", no Laboratório Nacional de Microbiologia do Canadá.

Na experiência, os pulmões de macacos infectados começaram a se deteriorar apenas 24 horas depois da exposição ao vírus.

A destruição que se seguiu foi tamanha que, se os animais não tivessem sido sacrificados apenas alguns dias mais tarde, literalmente se afogariam em seu próprio sangue.

O mais importante aspecto da experiência foi a descoberta de que não era o vírus que estava diretamente prejudicando os pulmões, e sim a reação do corpo à infecção.

Choque imunológico

Nos tecidos contaminados por H1N1, os cientistas identificaram níveis mais baixos de uma proteína produzida pelo gene RIG-1.

Os pesquisadores descobriram que o H1N1 tinha a capacidade de "desligar" o gene, prejudicando a defesa imunológica.

A capacidade do H1N1 de alterar a resposta do corpo também é uma característica do mais novo candidato à mutação para uma variante pandêmica, o vírus H5N1 da gripe aviária.

"O que identificamos nos macacos infectados pelo vírus de 1918 é também o que vemos com o H5N1", disse o coordenador da pesquisa, Yoshihiro Kawaoka. "As coisas podem estar em um estágio inicial, mas podemos fazer algo e para a reação."

Com a descoberta a respeito de um mecanismo que nunca foi completamente decifrado, os pesquisadores esperam justificar os temores de colegas que apontaram o risco de se recriar um dos vírus mais perigosos da história.

Estima-se que a epidemia de 1918 matou mais de um bilhão de pessoas, metade da população do planeta na época.

Entenda
Leia respostas para as principais perguntas sobre a gripe aviária.
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