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Atualizado às: 11 de dezembro, 2003 - 19h50 GMT (17h50 Brasília)
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Irã nega exercer censura política na internet

O presidente iraniano Mohammad Khatami
Khatami defendeu-se citando o grande número de internautas iranianos

O presidente do Irã, Mohammad Khatami, negou nesta quinta- feira que seu governo exerça censura ao acesso dos cidadãos do país à internet.

Em entrevista concedida na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, Khatami teve que responder um bombardeio de perguntas sobre o tema.

Ele admitiu que existem algumas restrições, mas disse que elas não atingem sites com conteúdo político e que elas não constituem nada de exepcional em comparação com outros países.

A opinião de Khatami não é compartilhada, porém, por centenas de ativistas que, durante a cúpula, estão inundando um blog experimental dedicado ao evento com críticas ao governo iraniano.

Polêmica

"Há poucos países no Terceiro Mundo e no mundo islâmico que tenham tanta gente conectada à internet quanto o Irã”, disse Khatami.

Mas entidades de defesa da liberdade de expressão afirmam que o governo exerce um firme controle sobre os internautas do país.

O Irã não foi o único país cujas credenciais democráticas com relação à internet foram postas em dúvida por entidades que participam da cúpula.

A própria decisão de sediar a segunda parte da cúpula, em 2005, na Tunísia causou polêmica porque o governo local é acusado de não tolerar contestação política.

Futuro

A propagação dos ideais democráticos pelas tecnologias da informação é um dos principais temas da cúpula, e muitos participantes procuraram expor sua visão de como a "democracia virtual" pode funcionar no futuro.

Em debate nesta quinta-feira, Nicholas Negroponte, do Massachusetts Institute of Technology e um dos mais famosos "gurus" da revolução digital, apresentou uma visão otimista do futuro da democracia influenciada pela rede, acrescentando que a internet pode exigir o desenvolvimento de "novas formas de representação" política.

Ao seu lado, Stephen Coleman, da Universidade de Oxford, disse que os governantes vão ter que se preocupar muito mais em dialogar com a sociedade, mas alertou para o fato de que o excesso de ativismo com os recursos das novas tecnologias pode imobilizar os políticos.

A discussão também abordou questões mais práticas, como o conselho dado pelo prefeito de Curitiba (PR) a um nigeriano que perguntou como sua cidade poderia incrementar seu envolvimento na sociedade da informação.

"Não saiam comprando novas tecnologias, desenvolvam as suas próprias", disse Taniguchi, após expor o funcionamento de computadores em ônibus e outras iniciativas da capital paranaense.

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