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Empresariado vê 'perigo' em gestão defendida pelo Brasil
Para muita gente, pensar em criar uma organização internacional para cuidar da internet não faz o menor sentido. É o caso da secretária-geral da Câmara Internacional de Comércio (ICC, na sigla em inglês), Maria Cattaui, que disse nesta quarta-feira em Genebra que falar neste tipo de coisa é até "perigoso". Para outros, como o secretário-adjunto de Política da Informática do Ministério da Ciência e da Tecnologia, Arthur Pereira Nunes, a criação de uma organização que desempenhe esta função é fundamental. O tema da governança foi um dos que ameaçaram azedar a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, que está sendo realizada em Genebra, na Suíça. Então, como dois participantes com visões tão diferentes ficaram satisfeitos com o trecho do documento final que trata do assunto? A solução encontrada pelos participantes foi nem partir para os passos concretos nem enterrar a idéia de uma vez, mas sim de criar uma força-tarefa coordenada pelo secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, a fim de estudar o assunto e voltar a debater o tema em 2005, na Tunísia, quando ocorre a segunda parte da cúpula. Consenso Parece pouco. Quem defende a criação desta entidade - hoje o que há de mais próximo a um órgão regulador da internet é a Icann, uma empresa semi-privada americana - pode ficar decepcionado com o consenso a que se chegou. A impressão tende a se reforçar quando se constata que Cattaui e Nunes, apesar de terem posições tão divergentes sobre o tema, se declararam satisfeitos com o resultado das discussões. Cattaui disse que internet funciona na base da coordenação e cooperação, e não sob controle de autoridades, nacionais ou supranacionais. "Do ponto-de-vista da comunidade empresarial, ainda é prematuro falar de uma organização internacional com esse fim", disse ela. O consenso foi, portanto, uma vitória de quem acha que o tempo vai matar a idéia? Não na visão de Arthur Nunes. Ele comemora o fato de que pelo menos o tema, caro ao governo brasileiro, entrou para valer na agenda internacional. "Os primeiros documentos eram piores", disse ele, referindo-se aos rascunhos da Declaração Final. "Havia muita gente radical que não queria falar no assunto, mexer no status quo." A idéia defendida pelo governo brasileiro é criar, a nível global, uma entidade parecida com o Comitê Gestor da Internet, que reúne o governo, o setor privado e a sociedade civil. |
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