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Atualizado às: 02 de dezembro, 2003 - 00h27 GMT (22h27 Brasília)
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Mundo está perdendo batalha contra Aids, diz Grangeiro

Alexandre Grangeiro
Grangeiro não excluiu Brasil de avaliação, apesar do sucesso no combate à doença no país

O coordenador do programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, Alexandre Grangeiro, disse nesta segunda-feira que o mundo está perdendo a batalha contra a AIDS.

Ele fez a afirmação durante o debate 20 Anos de Aids, Conquistas e Desafios, promovido nesta segunda-feira em São Paulo pela Agência de Notícias da Aids, Caixa Econômica Federal e Revista Capricho, com apoio da BBC Brasil.

Segundo Grangeiro, a luta contra a epidemia está sendo perdida não somente na África, continente que reúne o maior número de pessoas contaminadas, mas também na América Latina.

Grangeiro não exclui o Brasil da avaliação, apesar do sucesso do programa brasileiro de prevenção e tratamento da doença. "Só daria pra dizer que vencemos se não tivéssemos mais pessoas se contaminando", afirmou.

Perfil "brasileiro"

Apesar da estabilização na taxa de contaminação nos últimos anos, o Brasil tem 60 novos casos de HIV positivo por dia e 25 pessoas morrem todos os dias por causa da doença no país.

Grangeiro lembrou, no entanto, que o sucesso das campanhas de prevenção fez que com a previsão feita pelo Banco Mundial há alguns anos de que o Brasil teria 1,2 milhão de casos da doença não se confirmou e hoje o país tem 600 mil pessoas contaminadas com o HIV.

O coordenador do programa de DST/Aids do Ministério da Saúde disse ainda que o perfil da doença no Brasil, que hoje mata 50% menos do que há cinco anos, também mudou.

 A doença tem hoje a cara do Brasil: cresce mais nas regiões Norte e Nordeste e entre as camadas mais pobres e nove vezes mais entre as mulheres, que ainda têm dificuldade em exigir o uso do preservativo.

Alexandre Grangeiro

"A doença tem hoje a cara do Brasil: cresce mais nas regiões Norte e Nordeste e nas camadas mais pobres, e nove vezes mais entre as mulheres, que ainda têm dificuldade em exigir o uso do preservativo", afirmou.

O debate foi mediado pela diretora-executiva da Agência Nacional de Notícias da Aids, Roseli Tardelli, e teve a participação da médica infectologista Marinella Della Negra, do Hospital Emílio Ribas, da coordenadora de DST/Aids do Município de São Paulo, Maria Cristina Abbate, da psicóloga e educadora sexual Laura Miller, da Revista Capricho, e do presidente do Fórum de ONGs/AIDS de São Paulo, Eduardo Barbosa.

Laura Miller acha que a situação só vai mudar quando o sexo deixar de ser um assunto tabu e as pessoas começarem a tratá-lo como um coisa normal. "Como um adolescente vai considerar usar camisinha normal se em casa tem que esconder?", questionou.

São Paulo

Cristina Abbate, da Prefeitura de São Paulo, considera a retomada dos programas municipais a grande conquista da cidade nos últimos, depois da privatização dos serviços de saúde nos dois governos anteriores.

Segundo ela, o número de camisinhas distribuídas pelos postos municipais de saúde passou de um milhão, em 2000, para 10 milhões, este ano.

Apesar da melhora na aparelhagem da rede municipal nos últimos anos, o Fórum de ONGs/AIDS de São Paulo entrou nesta segunda-feira com uma ação no Ministério Público para que a Prefeitura providencie leitos hospitalares para 105 pacientes em hospitais da rede municipal.

 O que mais exclui as pessoas é o preconceito.

Cristina Abbate

O grande desafio dos serviços públicos, na avaliação de Cristina, é atender pessoas que normalmente são alvo de preconceito na sociedade, como travestis e usuários de drogas.

Preconceito

"O que mais exclui as pessoas é o preconceito", afirmou a coordenadora de DST/Aids do Município de São Paulo.

Ela acha, no entanto, que o Brasil é bem mais avançado do que outros países no combate à doença. "A luta contra a Aids coloca o Brasil num cenário que não é o ideal, mas sem dúvida é mais avançado do que o cenário mundial", acredita.

Eduardo Barbosa afirmou que a sociedade brasileira "foi omissa há 20, 15 anos, porque pensava que a questão do HIV era do outro".

Ele acha que a evolução do tratamento apresenta um outro risco. "As pessoas podem pensar que, pelo fato de ter remédio, está tudo resolvido. Mas existem os efeitos colaterais dos remédios", disse Eduardo, que é soropositivo.

Ele também cobrou um comprometimento maior dos governantes. "Até agora, o que temos tido é palativo."

A postura da Igreja católica, que condena oficialmente o uso de preservativo por pregar a abstinência sexual antes do casamento, foi amplamente criticada pelos debatedores.

"O problema não é o brasileiro, que sabe decidir o que é melhor para si. O problema é que por a Igreja condenar o preservativo o prefeito da cidade pequena vai ceder à pressão e não distribuir camisinha amplamente", analisou. "Temos que denunciar essa irresponsabilidade da Igreja."

A infectologista Marinella Della Negra disse que não queria comentar a postura da Igreja em relação aos preservativos, mas lembrou que, no Brasil, são as igrejas católicas e seus representantes os responsáveis por muitos programas de tratamento e cuidados a doentes de Aids.

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