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EUA devem anunciar destino de verba de combate à Aids
O governo americano deve anunciar nos próximos dias o destino dos US$ 15 bilhões prometidos pelo presidente George W. Bush para combater a Aids na África e no Caribe nos próximos cinco anos. A informação foi dada em Londres na segunda-feira pelo diretor-executivo do Fundo Mundial de Combate a Aids, Tuberculose e Malária, Richard Feachem, que participou de um seminário promovido pela BBC sobre a relação entre a mídia e a Aids. Feachem afirmou ainda que o fundo, criado há cerca de dois anos para financiar projetos de combate à Aids nos países em desenvolvimento, ganhará mais do que US$ 1 bilhão dos americanos, valor inicialmente reservado ao fundo. Esse total virá do bolo de US$ 15 bilhões reservado por Washington para o combate à doença. Feachem elogiou o encontro que teve com Bush e com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na semana passada, em Londres, durante o qual eles teriam acertado uma contribuição americana mais elevada. Fundo A quantia de US$ 1 bilhão havia sido criticada por economistas e organizações internacionais que acreditam que o fundo é a maneira mais eficaz de financiar projetos sérios de combate à Aids. Essas organizações criticaram, por exemplo, a intenção de um terço deste dinheiro ir para campanhas que pregam a abstinência sexual como a única forma 100% eficaz de combater a contaminação pelo HIV. O argumento é que é mais realista e proveitoso investir em educação sexual e na propaganda do uso de preservativos. Feachem, no entanto, disse que concorda com a existência de campanhas anti-Aids que preguem uma mudança no comportamento sexual e salientou a importância do envolvimento da igreja e de outras instituições religiosas no combate à Aids. "A Aids precisa ser combatida por várias frentes, e a mudança de comportamento sexual é uma delas. Não acho errado parte do dinheiro ir para instituições religiosas, por exemplo", disse. O ex-presidente americano Bill Clinton também participou do evento, por meio de uma videoconferência, ressaltando a importância da prevenção e do tratamento da Aids. Clinton, que criou um fundo de combate à Aids, afirmou que o principal objetivo de sua organização é levar tratamento aos mais pobres, via medicamentos anti-retrovirais. "Um dia a Aids será história, mas precisamos trabalhar para isso", disse. Feachman mostrou-se menos otimista e lembrou que o mundo está apenas acordando para o problema da Aids. Além da África, ele citou a Índia como uma bomba-relógio. Segundo ele, a China e a Índia se achavam imunes culturalmente à Aids, com base em uma crença equivocada de que a doença nunca atingiria o Oriente. Talvez por isso, segundo ele, a contaminação pelo HIV tenha sido deixada de lado e, por isso, se espalhado. "O fundo trabalha e investe dinheiro na Índia, outras organizações também. Mas o governo da Índia precisa dar mais dinheiro para tratamento e prevenção. Eles precisam saber que a Aids matará muito mais do que uma guerra com o Paquistão", disse Feachman. Ele ainda frisou a importância da mídia no processo de conscientização sobre a doença. "A Índia possui Bollywood (produção cinematográfica indiana) e uma identidade cultural fortíssima, isso precisa ser aproveitado. A Aids precisa se tornar um assunto das massas", disse Feachman. |
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