Israel diz que cessar-fogo em Gaza já começou e anuncia retirada parcial do território; o que acontece agora

Crédito, Reprodução/X
O cessar-fogo em Gaza, anunciado pelo governo de Israel, entrou em vigor nesta sexta-feira (10/10), afirmam as Forças de Defesa de Israel (FDI).
Com isso, a ajuda humanitária deve ser permitida em Gaza, sem restrições. Além disso, dentro de 72 horas após a retirada, todos os reféns israelenses restantes e cerca de 1,7 mil prisioneiros palestinos serão libertados. O Hamas tem até às 12h, hora local (6h em Brasília), de segunda-feira, dia 13, para cumprir o acordo.
Em comunicado divulgado no Telegram, as FDI afirmaram que as tropas "começaram a se posicionar ao longo das linhas de implantação atualizadas" a partir das 12h, horário local (6h, horário do Brasil) nesta sexta.
"As tropas das FDI no Comando Sul estão posicionadas na área e continuarão a eliminar qualquer ameaça imediata", acrescenta o comunicado.
Enquanto isso, os EUA enviaram 200 soldados para Israel para ajudar a coordenar a operação, disseram autoridades, mas eles não entrarão em Gaza. Organizações humanitárias também delinearam planos para ajudar.
Imagens recentes de Gaza desta sexta-feira mostram centenas de pessoas caminhando ao longo de uma estrada costeira, na tentativa de chegar ao norte da Faixa.

Crédito, Reuters
Lacunas que persistem sobre o plano
Tanto israelenses quanto habitantes de Gaza foram vistos comemorando a perspectiva de um acordo. Mesmo assim continuam a existir pontos de discordância no que diz respeito ao longo prazo.
O Hamas, por exemplo, já havia se recusado a depor as armas, afirmando que só o faria quando um Estado Palestino fosse estabelecido.
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O grupo também não mencionou o desarmamento em sua resposta inicial ao plano no último fim de semana, alimentando especulações de que sua posição não mudou.
O Hamas também afirmou esperar ter algum papel no futuro de Gaza como parte de "um movimento palestino unificado".
Por outro lado, Netanyahu pareceu rejeitar o envolvimento da Autoridade Palestina na Faixa de Gaza do pós-guerra.
Atualmente, a Autoridade Palestina controla parcialmente a Cisjordânia ocupada por Israel. A Cisjordânia é considerada pela comunidade internacional como território palestino.
De acordo com a agência Reuters, a Autoridade Palestina está se preparando para ter um papel na governança pós-guerra de Gaza.
Outra dúvida é quando Israel se retiraria totalmente de Gaza.
Israel afirma que, em uma primeira fase, manterá o controle de cerca de 53% de Gaza. O plano da Casa Branca indica novas diminuições para cerca de 40% e, em seguida, 15%.
Essa etapa final seria um "perímetro de segurança" que "permaneceria até que Gaza estivesse devidamente protegida de qualquer ameaça terrorista ressurgente".
Mas a formulação é vaga e não dá um cronograma claro para a retirada total de Israel — algo que o Hamas provavelmente gostaria de esclarecer.
Repercussões

Crédito, Al-Qahera News/Reuters
Ao anunciar a aprovação do cessar-fogo, Netanyahu agradeceu a Trump, ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e ao genro de Trump, Jared Kushner, pela participação nas negociações com o Hamas.
O primeiro-ministro israelense disse que Witkoff e Kushner trabalharam dia e noite para que o acordo fosse aprovado.
"Sabemos que isso é para o bem de Israel e dos EUA, para o bem das pessoas decentes em todos os lugares e para o bem dessas famílias que finalmente poderão se reunir com seus entes queridos", afirmou Netanyahu.
Mais cedo nesta quinta, Khalil al-Hayya, importante figura do Hamas, havia afirmado que recebeu garantias dos EUA e de mediadores envolvidos nas negociações de paz com Israel de que "a guerra terminou completamente".
Em sua declaração, Hayya disse que o acordo inclui um "cessar-fogo permanente", a retirada das tropas israelenses, a troca de prisioneiros, a entrada de ajuda humanitária e a reabertura da passagem de Rafah.
Já o ministro Itamar Ben-Gvir, alinhado à direita radical israelense, afirmou mais cedo que votaria pela derrubada do governo se o Hamas não for "desmantelado".
"Se o governo do Hamas não for desmantelado, ou se apenas nos disserem que está desmantelado, mas, na realidade, ele continuar existindo sob uma aparência diferente, o Otzma Yehudit [partido] desmantelará o governo", disse em um comunicado, referindo-se ao seu partido, parte da coalizão de Netanyahu.
Ben-Gvir também afirmou que se oporia a qualquer acordo que significasse a libertação de prisioneiros que Israel acusa de cometer assassinatos.
"Eu e os ministros do Otzma Yehudit não poderemos levantar as mãos em favor de um acordo que liberte esses terroristas assassinos, e nos oporemos a isso no governo", disse.
Força multinacional para monitorar cessar-fogo
Tom Bateman, jornalista da BBC especializado na cobertura do Departamento de Estado dos EUA, ouviu de uma fonte de alto escalão do governo americano que uma força multinacional com cerca de 200 agentes, supervisionada pelo exército americano, monitorará o cessar-fogo em Gaza.
Essa força provavelmente incluirá tropas do Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
A fonte disse que a função desses agentes será "supervisionar, observar e garantir que não haja violações" do cessar-fogo em Gaza.
Um outro funcionário de alto escalão dos EUA disse que nenhuma força americana estaria em Gaza — o papel americano seria criar um "Centro de Controle Conjunto", que "integrará" a força multinacional que está sendo planejada.
Na quarta-feira (08/10), Donald Trump anunciou a aprovação do "primeiro estágio de um acordo de paz entre Israel e o Hamas" com o objetivo de pôr fim do conflito em Gaza.
O anúncio ocorreu dois anos e dois dias após Israel lançar uma ofensiva militar na Faixa de Gaza em resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023, quando homens armados liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e fizeram outras 251 reféns em Israel.
Desde então, mais de 67 mil pessoas foram mortas nas operações militares israelenses em Gaza, incluindo cerca de 20 mil crianças, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.
O plano de Trump, com 20 pontos, sugere a criação de um Estado palestino se certas condições forem atendidas. Trump deve visitar Israel e o Egito no fim de semana, como parte de uma viagem ao Oriente Médio.
*Com informações da BBC News












