TikTok retoma operação nos EUA após aceno de Trump: o que se sabe

Foto mostra mensagem em celular que avisa que o TikTok não está disponível

Crédito, RIK S LESSER/EPA-EFE/REX/Shutterstock

Legenda da foto, Mensagem em celular diz que o TikTok não está disponível nos Estados Unidos. Em seguida, diz que Donald Trump indicou que trabalharia numa solução para o impasse
Tempo de leitura: 5 min

Após passar algumas horas fora do ar nos Estados Unidos neste domingo (19/1), o TikTok iniciou a retomada de seus serviços para os 170 milhões de usuários no país.

A volta acontece após uma série de declarações do presidente eleito Donald Trump, que toma posse na segunda-feira (20/1), sobre a tentativa de acordos para permitir o funcionamento da rede social chinesa nos EUA.

O aplicativo havia suspendido sua operação depois que a Suprema Corte do país confirmou uma lei na sexta-feira (17/1), estabelecendo que o serviço teria que ser vendido a uma empresa americana para continuar funcionando.

A legislação foi aprovada no Congresso americano sob argumento de "resguardar a segurança nacional" e prevenir que uma empresa com origem em outro país pudesse coletar grandes volumes de dados de dezenas de milhões de americanos.

Em um comunicado neste domingo, o TikTok informou que estava no processo de "restaurar o serviço" apenas algumas horas após ficar inacessível.

A empresa agradeceu ao presidente eleito por "fornecer a clareza e garantia necessárias" e afirmou que trabalhará com Trump "em uma solução de longo prazo que mantenha o TikTok nos Estados Unidos".

Mais cedo, Trump utilizou as redes sociais para anunciar sua intenção de adiar a proibição do TikTok por meio de uma ordem executiva, com duração de 90 dias.

Segundo ele, essa ordem daria à empresa tempo para encontrar um parceiro nos EUA que adquirisse uma participação de 50% na companhia.

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"Gostaria que os Estados Unidos tivessem uma posição de 50% de propriedade em uma joint venture (parceria entre duas ou mais empresas)", afirmou Trump.

"Ao fazer isso, salvamos o TikTok, mantemos ele em boas mãos e permitimos que continue operando. Sem a aprovação dos EUA, não há TikTok. Com a nossa aprovação, ele vale centenas de bilhões de dólares – talvez trilhões," continuou o presidente eleito.

A ByteDance, empresa dona do aplicativo, sempre disse não ter intenção de vender sua operação no país.

Na mensagem mostrada para os usuários que tentaram abrir o TikTok nos Estados Unidos no domingo, a plataforma informava sobre a indisponibilidade devido a uma lei do país e afirmava que Donald Trump indicou que trabalharia numa solução para o impasse.

Havia especulações de que, com a proibição entrando em vigor neste domingo, o app não deixaria instantaneamente de funcionar no país, mas não poderia ser mais atualizado — o que faria com que o serviço se tornasse obsoleto com o tempo.

Mas o próprio TikTok tomou uma ação muito mais decisiva, tirando o serviço do ar por algumas horas.

Disputa judicial

Um celular com logo do aplicativo do TikTok aberto em cima de uma bandeira dos EUA

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A decisão da Suprema Corte na sexta esgotou o último recurso legal que o TikTok tinha para evitar que a proibição entrasse em vigor

Os juízes da Suprema Corte dos EUA apoiaram uma decisão de primeira instância que considerou constitucional a lei que restringe o acesso ao TikTok caso o aplicativo não fosse vendido no país.

A decisão estabelece que as proteções à liberdade de expressão contidas na Primeira Emenda da Constituição americana, argumento usado no recurso da ByteDance, não impedem que o TikTok seja banido.

A opinião da Corte foi limitada — os juízes reconheceram a pressão de tempo para emitir a decisão — e evitou outras questões complexas, como se as preocupações sobre a influência chinesa no algoritmo do TikTok justificavam que ele fosse banido.

A decisão da Suprema Corte na sexta esgotou o último recurso legal que o TikTok tinha para evitar que a proibição entrasse em vigor.

Trump já havia sinalizado que gostaria de achar uma solução política para o caso.

Na sexta, ele disse que conversou com o presidente da China, Xi Jinping, e discutiu o TikTok, entre outras questões.

O CEO do TikTok, Shou Zi Chew, é esperado entre os executivos de tecnologia na posse de Trump na segunda-feira.

Autoridades de segurança nacional dos EUA alertaram que espiões chineses poderiam usar a coleta de dados do aplicativo para rastrear funcionários federais e contratados americanos, algo que o TikTok sempre negou.

O Departamento de Justiça declarou que a decisão da Suprema Corte permite que o departamento "impeça o governo chinês de usar o TikTok como uma arma para minar a segurança nacional dos Estados Unidos".

"Regimes autoritários não devem ter acesso irrestrito aos dados sensíveis de milhões de americanos", afirma o procurador-geral Merrick Garland.

Na sexta-feira, a embaixada chinesa em Washington acusou os EUA de reprimir injustamente o TikTok: "A China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente seus direitos e interesses legítimos", disse um porta-voz.

O TikTok negou em diversas ocasiões qualquer influência do Partido Comunista Chinês na rede social.

Donald Trump

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Trump já havia sinalizado que gostaria de achar uma solução política para o caso

RedNote: uma alternativa?

O TikTok afirma ter 170 milhões de usuários nos EUA que, em média, gastaram 51 minutos por dia no aplicativo em 2024.

Banir o TikTok cria uma grande oportunidade para seus grandes rivais tecnológicos, diz Jasmine Enberg, analista da Insider Intelligence.

"Instagram Reels, da Meta, e YouTube Shorts, do Google, são as alternativas mais naturais para usuários, criadores e anunciantes deslocados," afirma ela.

Mas é outra plataforma de propriedade chinesa que tem chamado atenção: a Xiaohongshu – conhecida como RedNote entre seus usuários nos EUA – , que tem crescido rapidamente nos EUA e no Reino Unido.

No app, muito popular na China e em Taiwan, alguns americanos estão usando o termo "refugiados do TikTok".

O RedNote tem cerca de 300 milhões de usuários mensais e é uma combinação de TikTok e Instagram - e um dos poucos aplicativos disponíveis tanto na China quanto fora dela.

O TikTok, embora seja propriedade da empresa chinesa ByteDance, tem sua sede em Singapura e afirma ser operado de forma independente. A versão chinesa do TikTok é outro aplicativo chamado Douyin.

Já o RedNote é de uma empresa chinesa sediada em Xangai.

Por isso, os temores de Washington em relação ao TikTok se estendem também ao RedNote.

Enquanto o imbróglio continua, os novos usuários americanos no RedNote estão se referindo a si mesmos como "espiões chineses" – continuando uma trend do TikTok, onde as pessoas estavam se despedindo de seu "espião pessoal chinês" que supostamente os vigiou ao longo dos anos.