Guerra no Irã: ministros do G7 fazem reunião de emergência sobre petróleo; as notícias mais recentes

Uma pessoa abastece um galão de gasolina em um posto da rede Murphy's USA nesta segunda-feira, em Lockhart, Texas.

Crédito, Foto de Brandon Bell/Getty Images

Legenda da foto, O barril de petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos
    • Author, Daniel Gallas
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Tempo de leitura: 5 min

No décimo dia da guerra no Oriente Médio — desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã — os preços do petróleo dispararam nos mercados internacionais.

O preço de referência do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. A alta deve provocar aumentos ainda maiores nos preços da gasolina.

As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas, com o índice Nikkei 225 do Japão fechando em baixa de mais de 5%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%, o que levou à paralisação das negociações por 20 minutos —através do "circuit breaker", um mecanismo projetado para conter vendas em pânico. O Kospi acabou fechando em queda de 6%.

Os ministros dos países do G7 se reuniram na tarde desta segunda-feira (9/3) na Europa em caráter emergencial para discutir o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, incluindo o aumento do preço do petróleo.

A reunião virtual foi liderada pela França, que detém a presidência rotativa do G7.

Na reunião de emergência, estava previsto que os ministros discutiriam uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo para conter a alta dos preços. As reservas de petróleo são coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), com 32 membros do grupo detendo reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo de emergência concebido para crises nos preços do petróleo.

Três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio a uma possível liberação conjunta, segundo fontes familiarizadas com as negociações, de acordo com o jornal britânico Financial Times.

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Alguns veículos de imprensa noticiaram que o grupo formado por ministros das finanças do G7, o grupo das sete nações mais ricas do mundo, estava considerando liberar 300 milhões de barris das reservas emergenciais para combater a escassez de petróleo criada pelo conflito no Oriente Médio.

Se confirmado, isso representaria um quarto das reservas emergenciais e seria mais que o dobro da intervenção recorde anterior, realizada em abril de 2022, após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

A AIE disse após a reunião desta segunda-feira, em nota, que a ideia foi discutida, mas não confirmou a quantidade exata que poderia ser liberada, e nem sequer se haverá liberação de alguma quantidade.

"Discutimos todas as opções disponíveis, incluindo disponibilizar as reservas emergenciais de petróleo da AIE para o mercado", disse o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

Birol afirma que os mercados globais de petróleo "deterioraram-se nos últimos dias" e que a guerra está "criando riscos significativos e crescentes para o mercado".

"Também estou em contato próximo sobre a situação com ministros de energia de diversos países, incluindo conversas recentes com a Arábia Saudita, Brasil, Índia, Azerbaijão e Singapura", acrescentou.

Após a reunião, Roland Lescure, ministro das Finanças da França, declarou à imprensa que "ainda não chegamos a um acordo" sobre a liberação emergencial de petróleo.

"O que foi acordado é usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários", disse.

A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça provocar aumento de preços para consumidores e empresas em todo o mundo.

Cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo costuma ser transportado pelo Estreito de Ormuz. Mas o tráfego por essa estreita passagem praticamente parou desde o início da guerra, há mais de uma semana.

O analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que o aumento nos preços do petróleo era esperado, considerando a paralisação da produção em alguns países do Golfo e os sinais de um conflito prolongado na região.

"As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo", disse ele, acrescentando que objetivos apresentados pelos EUA estão "se tornando cada vez mais irrealistas".

O presidente dos EUA, Donald Trump, que fez campanha eleitoral prometendo reduzir o custo de vida para os americanos, minimizou as preocupações com o aumento dos preços do petróleo.

No domingo, ele publicou em sua plataforma Truth Social: "Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!"

Seu secretário de Energia, Chris Wright, disse a emissoras americanas no domingo que Israel, e não os EUA, estava mirando a infraestrutura energética do Irã, em meio a certa preocupação com o aumento dos preços da gasolina nos EUA causado pela guerra.

Dados da associação de motoristas AAA mostraram que o preço médio da gasolina comum nos EUA subiu 11% na semana passada, chegando a US$ 3,32 por galão.

Nova liderança do Irã

No domingo, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como Líder Supremo, sinalizando que, mais de uma semana após o início do conflito, a ala linha-dura continua no comando do país.

Mojtaba Khamenei foi escolhido sucessor do aiatolá Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia do conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irã.

Ao contrário de seu pai, Mojtaba, de 56 anos, é discreto. Ele nunca ocupou um cargo no governo, nem fez discursos ou concedeu entrevistas públicas, e apenas um número limitado de fotos e vídeos dele foi publicado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve aceitar a escolha. Embora tenha sinalizado que estaria aberto à possibilidade de alguém ligado à antiga liderança assumir o poder, Trump deixou clara sua oposição a Mojtaba Khamenei.

"O filho de Khamenei é inaceitável para mim", disse Trump no início desta semana.

A escolha de Mojtaba Khamenei pode se provar controversa dentro do próprio Irã. A República Islâmica foi fundada em 1979, após a queda da monarquia, e sua ideologia se baseia no princípio de que o líder supremo deve ser escolhido por sua posição religiosa e liderança comprovada, e não por sucessão hereditária.

No fim de semana, os Estados Unidos e Israel lançaram novas ondas de ataques aéreos no Irã, atingindo vários alvos, incluindo depósitos de petróleo.

Enquanto isso, o Irã atacou a infraestrutura energética em países vizinhos do Golfo. Durante a noite, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído duas ondas de drones que se dirigiam a um importante campo petrolífero.