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Israelitas criam fazenda para alimentar Angola | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma companhia israelita está a usar tecnologia de ponta para poupar água na produção de frutas e vegetais em Angola, um país que, nos últimos 30 anos, passou a importar grande parte dos seus alimentos. “Penso que Angola está a atravessar agora um bom momento”, diz Uri Ben Basat, o co-administrador da Terra Verde, uma fazenda de 45 hectares nos arredores de Luanda. A fazenda foi criada em 2002, depois do fim da guerra civil angolana, e está a produzir, há 3 anos, tomate, pimentos, pepinos, mangas, melões e uvas. Na verdade, a fazenda produz, semanalmente, 35 toneladas de frutas e vegetais, na sua maior parte vendidos a supermercados e restaurantes de Luanda. Durante a guerra civil, o sector agrícola ficou devastado. Muitas pontes foram demolidas e as estradas e caminhos-de-ferro minados. Por essa razão, os alimentos que eram produzidos localmente não podiam ser transportados de uma zonas para outras para comercialização. Os que tinham posses financeiras passaram a depender das onerosas importações feitas do resto do mundo e não dos alimentos produzidos em Angola. Computador A Terra Verde é uma joint-venture angolano-israelita, mas as técnicas agrícolas vieram da Europa e de Israel. A companhia construiu a sua própria estação de bombagem de água, a 6 quilómetros da Terra Verde, nas margens do rio Bengo. Isso assegura o contínuo funcionamento do seu sistema de irrigação, onde as plantas são fertilizadas e regadas, gota a gota, através de uma sofisticada rede de canalizações. Um programa de computador calcula a quantidade exacta de água necessária, dependendo da temperatura e da humidade. Diferentes variedades de vegetais são produzidas tanto em campos descobertos como em estufas, dependendo da sua adaptação ao clima tropical angolano. E a companhia compra caixas de abelhas para polinizar os seus tomateiros organicamente. Todo esteve investimento custou cerca de 8 milhões de dólares. A companhia diz que a fazenda está a fazer lucros mas prefere não referir montantes. “Este é um projecto a longo prazo”, diz o director de marketing, Merav Zacharin.
“A Terra Verde é o nosso cartão de visita. Queremos que os investidores vejam o que fizemos aqui e percebam que podemos edificar a mesma coisa para eles noutras partes de Angola”. Ajuda governamental Cerca de 200 postos de trabalho foram já criados e a companhia está a expandir-se. Outra fazenda (Aldeia Nova) foi criada na província do Kwanza Sul, que, com os seus 450 hectares, é 10 vezes maior que a Terra Verde. “Angola está esfomeada e precisa, agora, de comida”, diz Ben Basat. “Este país tem um impressionante passado de produção agrícola, muita terra arável e água”. Mas quase 3 décadas de guerra civil constituem um fardo pesado. “O maior problema que este país tem é no acesso à comida”, de acordo com o director do PAM em Angola, Rick Corsino. “Há certas partes do país onde se produz a maior parte dos alimentos. Devido à guerra há um número incontável de minas e as pessoas e os bens não se podem movimentar livremente”. É por essa razão que os luandenses com posses continuam a depender quase exclusivamente de alimentos caros importados e a Terra Verde vê os vegetais importados como os seus principais concorrentes. Um quilo de tomate custa cerca de 4 dólares no supermercado, comparado com os 6 dólares cobrados pelo quilo de tomate importado. Não se tratam de preços acessíveis para todos os angolanos. Na sua maioria não têm posses para comprar os produtos da Terra Verde. As suas vendas são feitas a grandes supermercados, restaurantes e a empresas de petróleo e de diamantes. Ben Basat acha que só há uma maneira de baixar consideravelmente os preços em Angola. “Em muitos países, o governo subsidia o sector agrícola. Mas aqui não recebemos qualquer ajuda”. “É muito caro produzir aqui e, por isso, os preços são muito altos. Se quiserem que os preços sejam reduzidos para que toda a gente compre os nossos produtos, então será necessária a intervenção do governo. Não vejo outra saída”, rematou o co-administrador da Terra Verde. | LINKS LOCAIS Angola a caminho da auto-suficiência alimentar28 Setembro, 2004 | Notícias 20 milhões de africanos em risco de fome10 Agosto, 2005 | Notícias Fome ameaça 10 milhões de pessoas na África Austral08 Setembro, 2005 | Notícias Fome em África - uma crise sistémica01 Fevereiro, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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