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Mbeki procura mediar crise na Costa do Marfim | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, tenta ajudar a restaurar a calma na Costa do Marfim, após uma vaga de violência e tumultos que envolveram tropas governamentais e francesas. Tropas marfinenses, francesas e das Nações Unidas efectuam patrulhas conjuntas na capital comercial,Abidjan, palco nos últimos dias de violentas manifestações anti-francesas, tumultos e pilhagens. A Cruz Vermelha diz que pelo menos 400 pessoas ficaram feridas, mas receia-se que a cifra se aproxime das seiscentas. O presidente sul-africano disse-se satisfeito com o que descreveu como "empenhamento do presidente Gbagbo no acordo" que, há 18 meses, estabeleceu um cessar-fogo entre governo e rebeldes. Resolução da ONU A França vai submeter ao Conselho de Segurança das Nações Unidas um projecto de resolução que apela ao embargo de armas, viagens e ao congelamento dos bens dos marfinenses que 'violem a paz e os direitos humanos'. A China é referida como estando contra os termos do documento. O embaixador marfinense na ONU, Philippe Ddjangone-Bi disse que a eventual aprovação deste projecto de resolução equivaleria a uma 'violação flagrante da soberania da Costa do Marfim.' Desmentido da França A França, que negou estar a planear o derrube do presidente Laurent Gbagbo, rejeitou que quinze manifestantes pró-governamentais tenham sido mortos pelas suas tropas. Na segunda-feira, um comunicado governamental exortara o povo a formar um cordão humano em redor do palácio presidencial entre receios de que Paris estaria a preparar a queda de Gbagbo. Após conversações com o chefe do estado marfinense, Mbeki reiterou a necessidade de uma saída política para a crise. Ruptura dos acordos O acordo foi rompido há uma semana, quando forças governamentais desencadearam ataques aéreos e uma ofensiva terrestre contra posições rebeldes. Seguiu-se um ataque da aviação governamental às forças francesas de manutenção da paz no qual nove soldados franceses morreram. Os confrontos eclodiram no sábado quando um avião governamental atacou uma base militar francesa matando nove soldados - entre os quais um assistente norte-americano. Os franceses retaliaram destruíndo aparelhos da força aérea marfinense, que ficou reduzida a um avião. Críticas à França O incidente despoletou ataques da população contra interesses e propriedades francesas. O presidente do parlamento marfinense, Mammadou Coullibaly, disse que a Costa do Marfim tinha cessado de existir como estado para se tranformar ' numa extensão da França.' E Abdon Bayeto, representante em Londres do partido do presidente Gbagbo, a Frente Popular Marfinense, acusou Paris de estar do lado dos rebeldes. "Agora entendemos que desde sempre o nosso inimigo foi a França. Os rebeldes são franceses." Estrangeiros evacuados Bayeto disse que as tropas governamentais tinham tentado ' libertar "É um acto de gangsters," disse o representante marfinense em Londres. Mais de mil cidadãos franceses e de outras nacionalidades foram evacuados ou colocados sob protecção das Nações Unidas. Mais de 10.000 cidadãos franceses residem na Costa do Marfim. Segundo as Nações Unidas, mais de 1300 civis - a maioria crianças e mulheres - fugiram à violência atravessando a fronteira para a vizinha Libéria. A Costa do Marfim está dividida desde 2002 entre o norte, controlado por forças rebeldes e o sul, sob autoridade governamental. |
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