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Última actualização: 08 Novembro, 2004 - Publicado em 12:02 GMT
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Gbagbo apela à resistência contra tropas francesas
Soldado francês
Soldados franceses controlam a cidade de Abidjan
Centenas de manifestantes na Costa do Marfim juntaram-se diante de tropas francesas, nas imediações da residência do Presidente Laurent Gbagbo, na capital comercial, a cidade de Abidjan.

Os soldados franceses - apoiados por tanques - efectuaram disparos para o ar numa aparente tentativa para dispersar o bloqueio.

Os manifestantes respondiam a apelos radiofónicos para que formassem um escudo humano para proteger a residência do Presidente.

O apelo também alegava que a França estava a tentar desestabilizar o governo marfinense.

Tropas francesas em viaturas blindadas ocuparam posições estratégicas em Abidjan, onde a tensão continua alta, após violentas manifestações anti-francesas.

 A Costa do Marfim já não existe - tornou-se uma extensão da França e as autoridades marfinenses consideram-se em revolta contra o poder francês.
M. Coullibaly, Pres. do Parlamento marfinense

A França deslocou mais de seiscentos efectivos das suas bases em Libreville e Brazzaville, elevando para cerca de 5 mil o total de tropas na Costa do Marfim.

Os últimos tumultos foram despoletados pela destruição de aviões e helicópteros da força aérea marfinense, ordenada pelo Presidente francês, Jacques Chirac.

O gesto foi em retaliação pela morte de nove soldados franceses num ataque lançado no sábado pela aviação governamental a Bouaké, o bastião dos antigos rebeldes.

ONU apoia Paris

A guerra civil deixou a Costa do Marfim dividida entre o Sul, controlado pelo exército e o Norte, sob controlo das forças rebeldes.

Contingentes franceses e das Nações Unidas estão no terreno com a missão de manter a zona tampão entre os dois beligerantes e proteger os mais de 10 mil cidadãos franceses no país.

Reunido de emergência, no fim de semana, o Conselho de Segurança das Nações Unidas manifestou o seu apoio à França e urgiu todas as partes a parar com os confrontos.

O exército governamental retirou-se das posições rebeldes no Norte, para onde tinha avançado nos últimos dias no prosseguimento de uma ofensiva.

Solução política

Jean Marc de la Sabliere, o embaixador francês nas Nações Unidas, apelou a uma saída política para a crise.

"O Conselho de Segurança pediu a cessação das operações militares por todas as partes marfinenses e deixou claro que não há uma solução militar para a Costa do Marfim, apenas uma solução política, e que essa solução deve basear-se nos acordos de paz firmados."

O presidente do Parlamento marfinense, Mammadou Coullibaly,
disse que quinze manifestantes tinham sido mortos por soldados franceses.

 O Conselho de Segurança deixou claro que não há uma solução militar para a Costa do Marfim, apenas uma solução política, que se deve basear nos acordos de paz firmados
Jean Marc de la Sabliere, embaixador francês na ONU

Uma das prioridades dos franceses tem sido a protecção dos seus 10 mil cidadãos na Costa do Marfim, que o Presidente do Parlamento marfinense diz estarem em perigo depois da alegada morte dos manifestantes.

Resistência

"Vamos provavelmente viver uma guerra que será longa e difícil e que a França vai perder."

Coullibaly disse que os acontecimentos das últimas horas marcavam "um ponto de viragem" e que "o Vietname não será nada comparado com o que vai acontecer [na Costa do Marfim]."

"O estado da Costa do Marfim já não existe - tornou-se uma extensão da França e as autoridades marfinenses consideram-se em revolta contra o poder francês que o Presidente Jacques Chirac quer implantar no país."

O chefe do Parlamento marfinense disse que irá haver uma resistência feroz e que essa resistência será organizada pelas autoridades marfinenses.

Manifestações

Tiroteios fizeram-se ouvir na noite de ontem em Abidjan, cujo aeroporto está em poder dos franceses.

Uma escola e uma biblioteca francesas foram incendiadas entre fortes manifestações anti-francesas.

O porta-voz das forças francesas na Costa do Marfim, Coronel Henry Aussavy, diz que os seus homens se tinham visto forçados a usar armas para se defender de manifestantes armados.

Aussavy disse ainda que o uso de armas se destinara a proteger civis estrangeiros que estavam, segundo disse, a serem atacados.

"Soldados viram-se forçados a fazer fogo perante manifestantes armados com catanas e prontos a usá-las".

Thabo Mbeki vai mediar

A União Africana pediu ao Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que ajude a encontrar uma solução política para a crise.

Mbeki irá trabalhar com o Presidente da Comissão Africana, Alpha Oumar Konaré, que declarou em comunicado ser urgente uma solução política.

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