Imigrantes ilegais viram super-heróis em ensaio de fotógrafa nos EUA

    • Author, Valeria Perasso
    • Role, Da BBC Mundo em Los Angeles

Mexicana Dulce Pinzón quis homenagear 'heróis silenciosos' que ajudam a sustentar economia americana.

Bernabé Méndez vestido de Homem-Aranha (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, Uma série fotográfica da artista mexicana Dulce Pinzón retrata imigrantes latino-americanos que vivem ilegalmente nos EUA como super-heróis clássicos dos quadrinhos. O trabalho tem tom de sátira, mas, segundo a artista, homenageia os "heróis silenciosos" que ajudam a sustentar a economia americana. O mexicano Bernabé Méndez, que limpa vidros em Nova York, é um desses "heróis". Ele foi fotografado por Pinzón vestido de Homem-Aranha.
Noé Reyes vestido de Super-Homem (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, As fotos da série - chamada "A verdadeira história dos super-heróis" - foram feitas ao longo de cinco anos e reunidas em um livro. Cada imagem é acompanhada de um valor: a quantidade de dinheiro que os imigrantes enviam para suas famílias. No caso de Noé Reyes - entregador de encomendas no Brooklyn, fotografado como Super-Homem - as remessas mensais para seus parentes em Puebla chegam a US$500.
Minerva Valencia vestida de Mulher-Gato (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, "Essa gente trabalha muitas horas, com salários baixos. Da renda que eles conseguem juntar dependem famílias inteiras no México", diz Pinzón. Durante uma estadia em Nova York, a fotógrafa conheceu Minerva Valencia, a babá que pousou como Mulher-Gato.
 Federico Martínez vestido de Batman (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, O ponto de partida do trabalho é a revalorização do conceito de heroísmo, um fenômeno que, segundo Pinzón, teria ganhado força nos EUA depois dos atentados de 11 de setembro. "A idéia do herói ficou associada a policiais, bombeiros e enfermeiras, mas ninguém parou para prestar atenção nos imigrantes, especialmente os latino-americanos", opina a fotógrafa, referindo-se a trabalhadores como o chofer Federico Martínez, fotografado como Batman.
Paulino Cardozo vestido de incrível Hulk (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, Outro "herói" retratado por Pinzón é Paulino Cardozo, do estado mexicano de Guerrero. Ele que passa seus dias carregando e descarregando caixas de frutas e verduras de um caminhão de entregas. Na foto, aparece vestido de incrível Hulk, o supér-herói conhecido por ter uma força extraordinária.
Luis Hernández como o Coisa (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, Pinzón estudou o repertório de cada personagem para encontrar os que melhor poderiam ser identificados com cada ocupação. Segundo a fotógrafa, os imigrantes mostram seus "superpoderes" na vida cotidiana: têm força, resistência e "capacidade de sobreviver a situações extremas". Entre eles, estão o empregado de uma empresa de demolição Luis Hernández, retratado como o Coisa, do Quarteto Fantástico.
María Luisa Romero como Mulher Maravilha (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, Os latino-americanos fotografados - como María Luisa Romero, funcionária de uma lavandería do Brooklyn retratada acima como Mulher Maravilha - concordaram em se vestir de super-heróis para reforçar a sátira. "A intenção era romper com a tradição documental mexicana, com aquela típica foto em preto e branco de trabalhos sobre imigração, em que os entrevistados têm o olhar perdido", afirma Pinzón.
Ernesto Méndez como Robin (Foto Dulce Pinzón)
Legenda da foto, O discurso político por trás do projecto de Pinzón destaca a dupla dependência entre o México e os EUA: enquanto a economia americana precisa da mão-de-obra imigrante, a mexicana precisa das remessas de trabalhadores como Ernesto Méndez, da Cidade do México – retratado acima como como Robin. Ele envia para casa US$200 por semana, ganhados nas ruas de Manhattan.
Dulce Pinzón (Autorretrato)
Legenda da foto, Em homenagem a seus modelos, Pinzón fechou seu livro posando de Mulher-Invisível, feito em uma oficina de costura na qual que trabalham muitas imigrantes latino-americanas. "Muitos dos retratados chegaram a ver as suas fotos, outros tiveram de se mudar por estarem com os papéis irregulares", explica a fotógrafa.