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Mais algumas do Obama | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Outro dia mesmo, talvez por estar na moda, eu enfileirei aqui neste espaço umas piadinhas (e as aspas não pegariam mal) sobre o presidente eleito norte-americano, Barack Obama. Tudo pescado na Net. Coisa trivial. Embora eu estivesse sabendo, pois tenho idade e cancha para isso, que se quisesse mesmo ia pegar coisa da pesada. Botei uma ou outra bobagem, só para me lembrar de que ainda há partes democráticas no mundo e o riso, mesmo o de ligeiro mau gosto, é permitido. Frise-se: ligeiro. Tudo que me sobrou de bom senso me diz que o horror mora logo ao lado. Não fosse a pessoa em questão quem é, não fosse o país que o elegeu aquele que é. Agora, só para contornar mais um pouco as difíceis esquinas em que o mundo democrático atravessa, fuçei mais um pouco a Net (gripe é fogo) e peguei correndo o que houvesse de mais inóquo em relação ao homem. Lembro-me, sei, que os americanos quando sacam do calibre 45 do humor, mandam bala pra valer. Há, pois que se tomar o maior cuidado. Evitei os óbvios e enfadonhos: que a Casa Branca vai ter que mudar de nome. Que o governo acaba no dia em que o Presidente for flagrado vendendo crack no portão do número 1600 da avenida Pensilvânia. Por aí. Você manjam e os mais ladinos, e mais sem caráter também, já devem ter bolado mais umas dez desse anedotário acanalhado, no espaço de tempo que levei para digitar estas linhas. Então, vejamos, o que há em matéria de “Rir É O Melhor Remédio”, conforme se intitulava aquela seção da Seleção dos Readers Digest. Pergunta: Por que é que Obama não divulga sua certidão de nascimento? Pergunta: Por que é que Obama não divulga sua certidão de nascimento? Pergunta: Por que é que Obama não divulga sua certidão de nascimento? Pergunta: Por que é que Obama não divulga sua certidão de nascimento? E outras sandices do gênero. Nada de muito sério. Até sintoma de saúde democrática. Uma de gosto dúbio: Pergunta: Por que é que o senador Edward Kennedy votou em Obama? E outra nem tanto: Pergunta: Por que é que Jimmy Carter votou em Obama? Tem mais. Bem mais. Melhor, no entanto, deixar para lá. Eles que são... ahn... eles que são americanos que se entendam. Vira, mexe, deixa o zeberê ficar, eis senão quando dou de cara com um item que nada tem de anedotal. As vias da incompetência internáutica são muitas e aos lugares mais inesperados conduzem. Lá estava. Um documento. Meio assustador. Absolutamente verídico.Nada de blogações indevidas. Trata-se de um questionário que todos aqueles que aspiram a um cargo no governo Obama são obrigados a preencher. Consta de 63 perguntas distribuídas em 7 densas páginas, espaço 1. O questionário sugere, digo, exige que seja dedicada séria atenção às respostas, além de necessitar pesquisa em vários e antigos documentos pessoais. Fiquemos no trigo, já que o joio inexiste. Um ou dois exemplos ilustrativos: “Se você, ou sua mulher, ou marido, realizaram qualquer tipo de trabalho, foram pagos e fizeram quaisquer pagamentos a qualquer potência ou negócio estrangeiro, organização não-destinada a lucros, ou simplesmente individuais, descreva por favor as circunstâncias dos fatos e dê o nome da fonte e a quantia em questão...” Ou por outra: “o ilustre já lidou comercialmente com potências estrangeiras?“ Algo mais geral: “Descreva, com um mínimo de palavras, as questões mais controvertidas de sua carreira profissional.” O aspirante ao cargo ligado à presidência – de secretário de estado a arrumadeira – tem de prestar conta de cada centavo depositado em banco além da quantia paga ao imposto de renda. Tem mais. O candidato ou candidata é obrigado a dar o nome de todas as organizações, não importa quais, a que tenha pertencido no decorrer de sua vida. A pergunta 63 engloba e resume a coisa toda, seu espírito e objetivo: “Por favor, adiante qualquer informação, inclusive sobre membros de sua famíla, que poderiam sugerir um conflito de interesse ou constituir um embaraço para você, sua família, ou o presidente-eleito.” O mais do que responsável colunista político Simon Hoggart, do Guardian, publicou em sua coluna diária da semana passada essa pequena amostragem. Hoggart não é de bobear nem brincar em serviço. Suas credenciais de jornalista – desnecessário dizer que de homem de esquerda -- são impecáveis. Eu, de minha parte, vou fuçar mais um pouco na Net procurando a íntegra do questionário, embora, infelizmente, ele me seja mais do que familiar. Além de nada engraçado. |
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