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Atualizado às: 31 de outubro, 2008 - 09h00 GMT (07h00 Brasília)
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Buu! Truque ou Trato?

Ivan Lessa
Aí, cá e lá, esteve e estiveram: Raloim e Halloween. Um bruxo bom, desses que sentam ao lado da gente no pub, me deu o dado vital.

Mercantilismo. Sem dúvida. Vender é a alma do negócio. Nossas almas, vossos negócios. O bruxo bom me explicou como a véspera de Todos-os-Santos atravessou o Atlântico e aqui fincou suas garras.

A maior cadeia de supermercados do Reino Unido é a Asda. A Asda pertence ao americaníssimo Wal-Mart. Que bons de bola, além de “peças” e bombocados (tricks or treats no original), perceberam o quanto não dava para se faturar.

Que oportunidade, meu bom Drácula! Meu divino monstro de Frankenstein! Assim é pois, que, a cada ano, a Wal-Mart fatura alguns bilhões (sim, bilhões. Não é truque ou “peça”) nos Estados Unidos com o Raloim local. A sutil estratégia chegou à vasta cadeia Asda britânica e tome polca. Ou tome barra de chocolate.

***

Por uma dessas coincidências que faz a gente acreditar que há uma abóbora maior, lá nos céus, zelando por nós (vida a falecida tira Minduim, ou Peanuts, do Charles Schulz), também no dia 31 entrou em circuito o novo filme de James Bond. Solécio de um Quântico, creio que seja seu nome, em tradução de masmorra.

Tenho acompanhado com interesse a promoção midiatica. Vi o primeiro 007 com esse indivíduo, Daniel Craig, conforme se diz chamar, e que agora defende as cores das elegantes camisas já vestidas e nada suadas por Sean Connery e Pierce Brosnan. Interessante.

Por que raios foram escolher um operário da construção civil para retratar o agente secreto mais conhecido do mundo? Operário ou encanador. Teve um lá em casa, de certa feita, que era a cara escarrada do homem. Cobrou uma fortuna. Mas deixou a descarga da privada funcionando bonitinho. Não creio que Craig conseguisse o feito.

007: licença para desentupir a pia.

Ou

007: licença para cair do andaime.

***

E adeus também para George W. Bush, embora ainda falte quase três meses para a posse do presidente Barack Hussein Obama. O filme W., do controvertido (quer dizer é danado de ruim quando lhe dá na telha) Oliver Stone, até que não é mau. Mais longo que o de 30 minutos do presidente Obama, mas custou mais barato. E tem o coração no lugar certo, conforme dizem por aqui. Lugar certo de coração é lá por perto dos países baixos onde é mais fácil dar e dói mais quando se leva um pontapé.

O jornal distribuído de graça no metrô, que tem o original título de Metro, relembra alguns “bushismos” que, nunca se sabe, talvez passem para a história. Cito alguns em memória das centenas de milhares de pessoas que perderam a vida na invasão e ocupação do Iraque e Afeganistão.

"É incrível que eu tenha vencido as eleições – eu disputava o cargo de presidente contra a paz, a prosperidade e a decência".

"Sei que homens e peixes podem conviver em paz".

"Nossos inimigos são inventivos e cheios de recursos. Nós também somos. Nossos inimigos nunca param de imaginar novas maneiras de fazer mal a nosso povo e nosso país. Nós também."

"A leitura é a base de todo conhecimento."

"É nas famílias que nossa nação deposita sua esperança, onde as asas se abrem para os sonhos."

"Raramente se faz a seguinte pergunta: nossos filhos 'está' aprendendo?" (Sim, sim: "está")

"Eu sei como é difícil botar comida na família da gente."

"Uma das melhores coisas dos livros é que as vezes há algumas ilustrações fantásticas".

"Eu tenho uma visão diferente de liderança. Uma liderança é alguém que une as pessoas."

"Compreendo o crescimento de um pequeno negócio. Eu já fui um deles."

"Se estivéssemos numa ditadura, tudo seria bem mais fácil… contanto que eu fosse o ditador".

"As relações fronteiriças entre o México e o Canadá nunca foram melhores."

"Nunca mais, aqui em Washington DC, eu quero ter que dar explicações que eu não entendo."

"Creio que estamos de acordo, o passado acabou."

"Trata-se obviamente de um orçamento. Está repleto de números."

"O Brasil é o país do futuro do pretérito."

***

Essa última eu inventei. Ou tomei emprestada a legenda e botei na boca do boneco. Minha maneira de passar o pé (trick) no eventual leitor que nem sequer se lembrou de me mandar um mimo (treat). Enganei uma porção de bobos na casca de uns dois ovos.

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