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Atualizado às: 06 de novembro, 2008 - 14h01 GMT (12h01 Brasília)
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Análise: Americanos apostam no inexperiente Obama

Perfil de Barack Obama
Americanos apostaram em Obama, apesar da pouca experiência
Se em vez de disputar as eleições americanas, Barack Obama tivesse que mandar seu currículo para pedir o emprego de presidente dos Estados Unidos, é possível que ele sequer tivesse passado pela primeira etapa de um processo de seleção.

Quando Obama, de 47 anos, se mudar para a Casa Branca, em janeiro de 2009, a mais alta qualificação que ele trará consigo foi a de ter sido senador pelo Estado americano de Illinois desde 2005.

"Não se pode ignorar que o currículo de Obama é curto para ser de um ocupante do posto mais alto do mundo", afirmou recentemente um editorial da revista britânica The Economist, que apoiou a candidatura do democrata.

Apesar de sua boa oratória e capacidade de liderança, muitos americanos – inclusive seus próprios seguidores – acreditam que Obama ainda é uma "aposta".

Para muitos analistas, a falta de experiência de Obama (um assunto que foi amplamente explorado por seu rival, John McCain, na campanha) desperta dúvidas sobre sua futura capacidade para governar o país.

O que ele fez até agora

A página oficial de Obama descreve-o como um homem que dedicou sua vida ao serviço público, como "organizador comunitário, defensor dos direitos civis e líder no Senado do Estado de Illinois".

É justamente a sua passagem pelo Senado que gerou maiores divisões.

Uma das maiores críticas que Obama sofreu, inclusive da sua companheira e rival de partido democrata, Hillary Clinton, foi a de sempre votar "presente" (ou seja, se abster) – em vez de "sim" ou "não" – em mais de uma centena de ocasiões.

Hillary criticou a indecisão de Obama e disse que isso era "a constatação de um fato: Barack Obama nunca dirigiu nada".

Em sua defesa, Obama e sua equipe de campanha argumentaram que suas abstenções não eram indecisão, mas sim voto de protesto ou estratégia política – usada para negociar mudanças em projetos de lei em casos em que ele não estava totalmente contra as propostas.

O site de Obama traz várias definições vagas das supostas vitórias do senador:
- Centrou-se em combater os desafios de um mundo globalizado com inovação e critério.
- Viajou à Rússia para começar uma nova geração de esforços de não-proliferação de armas.
- Está trabalhando para promover...
- Foi uma voz de liderança...

Concretamente, durante seu período no Senado, Obama envolveu-se em uma série de projetos de lei sobre seguridade social e imigração.

Também introduziu duas propostas de lei: uma de cooperação para a redução das ameaças das armas convencionais e outra sobre transparência dos gastos federais.

Em política exterior, Obama foi o principal defensor da lei de promoção da democracia, seguridade e ajuda para a República Democrática do Congo, sancionada em dezembro de 2006 pelo presidente George W. Bush.

Além disso, várias propostas de Obama não foram aprovadas no Senado.

Esta experiência política não responde às dúvidas dos que questionam a sua capacidade de governar.

O efeito da campanha

Para alguns, a forma como Obama conduziu sua campanha eleitoral no último ano é um sinal de esperança.

Segundo o correspondente da BBC em Washington, Richard Lister, até os estrategistas republicanos reconhecem que a campanha de Obama foi "tecnicamente perfeita".

"O incrível foi a calma sobrenatural e a moderação que Obama demonstrou ao longo desta volátil e emotiva campanha", escreveu o jornalista Andrew Sullivan, no jornal britânico The Sunday Times.

O The Economist destaca que Obama conseguiu ganhar das duas máquinas políticas mais poderosas dos Estados Unidos: os Clinton, de um lado, e o partido republicano e os conservadores, do outro.

Se com seu curto currículo, Obama passasse da primeira fase de seleção e seguisse para uma entrevista, provavelmente, com sua capacidade de oratória e sua liderança, ele conseguiria convencer seus empregadores de que é o candidato ideal para o cargo.

De certa forma, foi o que aconteceu com milhões de americanos, que votaram nele.

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