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Atualizado às: 06 de novembro, 2008 - 08h32 GMT (06h32 Brasília)
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Obamus Maximus

Lucas Mendes

Você viu e ouviu aí pela televisão e pela internet, uma explosão de vitória na Copa do Mundo. Pois foi maior e mais fundo do que você viu nas telas.

Pouco antes das nove da noite, quando as redes anunciaram a vitória de Obama na Pensilvânia, era apenas uma questão de quando e onde viria o golpe definitivo.

A rede Fox, ironicamente, anti-Obama, foi a primeira a anunciar a vitória dele em Ohio. Começou o funeral republicano e a festa democrata.

Uma comemoração espontânea, de Chicago a Nova York, do Harlem ao Lower East Side, de Times Square a centenas de bares com telões. Choro, abraços e beijos. E não foi uma emoção contida nas fronteiras americanas. O mundo aderiu.

Prisioneiros que se sentiam livres de George W. Bush ou românticos que entravam numa nova era? As duas sensações se misturavam embaladas pelos números da noite com vitórias em redutos republicanos como Virgínia, um dos estados mais escravagistas e republicanos da historia americana.

O “primeiro presidente negro” era o começo de todas as frases. Não foi minha maior emoção. Tantos negros ocuparam cargos executivos nos últimos governos, tantos se afirmaram na política, entretenimento e finanças. Colin Powell, por exemplo, tinha chances de ser eleito presidente dos Estados Unidos pelo partido republicano em 2000.

Eu testemunhei varias situações racistas e vivi algumas. A pior delas, já contada nesta coluna, foi num restaurante em Alabama, quando o dono se recusou a servir nosso grupo de quatro jornalistas porque um deles era negro, da Etiópia.

O americano que estava conosco chamou a polícia. Em vez de obrigar o dono a nos servir, nos escoltaram até a fronteira do estado vizinho "para nos proteger".

Isto foi em 68, e foi um choque, mas os grupos radicais como os Black Panthers eram igualmente chocantes. As aparências são enganosas. O racismo começava sua agonia.

Obama é surpreendente pela extraordinária campanha que derrotou Hillary Clinton, pelo curto passado político, pela combinação rara de frieza com carisma e inteligência. É fácil entender como atrai os negros, mas e as outras minorias pobres, como os latinos, os jovens, as mulheres, liberais, intelectuais, milionários como Warren Buffet e militares?

A brutal surpresa financeira econômica de setembro foi decisiva para a vitória de Obama, mas McCain podia ter se libertado de George W. Bush se tivesse tomado uma posição contra a ajuda aos bancos. Era arriscado. Ele estava na frente ou empatado nas pesquisas e não teve coragem de correr o risco.

Barack Obama nunca foi o candidato de uma raça ou de um grupo e esta talvez seja a maior atração dele. Desde o começo da carreira política, Obama se recusou a ser o porta-voz dos negros, como Jesse Jackson.

A mensagem yes, we can sempre foi positiva e sem cor. Ele foi contra Bush e McCain, contra as formulas econômicas e políticas republicanas, mas jamais questionou os valores pessoais dos adversários.

Nunca foi um político zangado ou ressentido. No discurso de vitória, não há um parágrafo amargo, triunfalista, na primeira pessoa, nem de promessas demagógicas.

Ele que se elegeu com uma combinação de mágica e genialidade políticas, agora esta preocupado em desfazer ilusões e baixar as expectativas.

Ele tem oportunidades e desafios que poucos presidentes americanos tiveram: salvar a economia, terminar duas guerras, reformar o sistema de saúde publica, o imposto de renda, reconstruir a infra-estrutura do país, a imagem americana no mundo e escrever o último capítulo da história do racismo nos Estados Unidos.

Se falhar, será uma das maiores decepções políticas do nosso tempo. E se acertar? Teremos Obamus Maximus, o primeiro César negro?

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