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Atualizado às: 31 de outubro, 2008 - 02h24 GMT (00h24 Brasília)
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Lula diz que Estado vai salvar mercados de crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente de El Salvador, Antonio Saca
Lula foi recebido por líder salvadorenho e criticou mercados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chamar os mercados de "cassino" nesta quinta-feira e disse que é o Estado quem vai salvá-los da crise financeira global.

Durante discurso na 18ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em San Salvador, Lula chamou de "conservadores" aqueles que durante a década de 80 "achavam que o Estado gastava demais".

"Agora quem vai salvá-los é o Estado, que eles diziam que não servia para nada", afirmou.

O presidente disse ainda que não permitirá que a crise nos mercados reduza os investimentos do governo.

Proposta conjunta

O tema da cúpula deste ano são os jovens, mas praticamente todos os chefes de Estado presentes incluíram a crise financeira em seus discursos.

O presidente Lula foi um dos mais duros, com críticas ao sistema financeiro atual, que muitas vezes "tentou nos dizer por que e como fazer".

"É preciso redefinir o papel do Estado, pois eles (o mercado) não tomaram conta deles próprios", disse o presidente.

Lula sugeriu ao secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, que os líderes saiam do encontro com algum tipo de proposta conjunta sobre como reformular o sistema financeiro mundial.

"O tema da cúpula é a juventude, mas seria estranho sairmos daqui sem uma proposta conjunta sobre a crise", disse o presidente.

No entanto, nenhum documento foi divulgado. O próprio presidente Lula voou para Cuba logo após sua participação na sessão plenária.

Assim que chegou à capital cubana, Lula teve um encontro de cerca de uma hora com o presidente Raúl Castro.

Os dois dirigentes não quiseram falar com a imprensa. Apenas posaram para fotos.

Diante das câmeras, Castro disse ao presidente Lula para “fazerem cara de políticos da União Européia”.

Morales

Antes da sessão plenária, o presidente Lula tomou café da manhã com o presidente da Bolívia, Evo Morales. Esta foi a única reunião privada com outro chefe de Estado.

Segundo o Itamaraty, Lula parabenizou Morales pelo acordo com a oposição que deve viabilizar a reforma constitucional na Bolívia.

Lula aproveitou o encontro e pediu que o presidente boliviano apresse a execução de projetos financiados pelo BNDES em seu país.

Sem isso, novas linhas não poderão ser aprovadas.

Morales convidou Lula para uma visita à Bolívia em janeiro, para visitarem áreas de fronteira.

Zapatero

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse aos jornalistas que está intercedendo junto ao governo americano para que o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, participe da reunião do G20, que será realizada no dia 15 de novembro em Washington.

A Espanha será representada na reunião do G20 pelo atual presidente da União Européia e presidente da França, Nicolas Sarkozy, mas Zapatero também quer um lugar para seu país à mesa.

Segundo o jornal espanhol El Pais, Zapatero teria dito que somente três países estão buscando uma reforma profunda do sistema financeiro mundial: Espanha, Grã-Bretanha e Brasil. O restante se propõe, de acordo com Zapatero, a apenas "maquiar o atual sistema".

A pedido do presidente Lula, Amorim telefonou na noite de quarta-feira para a representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, sugerindo a presença de Zapatero na reunião, que vai discutir uma nova arquitetura para o sistema financeiro mundial.

"A idéia inicial da reunião era de que não fosse fechada ao G20", disse Amorim. Segundo o ministro, além da Espanha, um país emergente também será convidado, mas o nome ainda não foi definido.

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