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BC mantém juros à espera de definição de impactos da crise | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu nesta quarta-feira o movimento de alta das últimas reuniões e decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira em 13,75% ao ano. "Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 13,75% a.a., sem viés", disse o BC em nota divulgada na noite desta quarta-feira, ao final da reunião. A decisão, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, é resultado da incerteza provocada pela crise econômica global e também dos efeitos da retração da economia mundial, que aliviam a pressão inflacionária. “Neste momento, há pouca informação sobre os impactos da crise. Os cenários de inflação ficam mais difíceis (de serem previstos). É uma atitude de prudência do Banco Central esperar mais um tempo”, afirma a economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria. Segundo o economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, ainda não é possível prever com exatidão o impacto que a crise atual terá sobre o crédito e o nível de atividade. “Há muita incerteza, muito medo e muita dúvida.” De acordo com especialistas, em dezembro, quando o Copom realizar sua próxima reunião, o cenário estará mais definido. Commodities O impacto da crise sobre o mercado de commodities, com redução dos preços internacionais, também serve para reduzir a pressão sobre a inflação, o que possibilitou a manutenção dos juros inalterados, segundo economistas. “Se o dólar não subir muito, haverá menor pressão inflacionária do que se esperava. Isso permitiria que, em duas ou três reuniões, o Copom possa até reduzir os juros”, diz o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. A decisão desta quarta-feira foi considerada uma das mais difíceis a serem tomadas pelo Copom e dividiu analistas. Alguns alertavam para o risco de que os efeitos da crise não sejam fortes o suficiente para controlar a inflação. Isso tornaria mais difícil para o BC levar a inflação para o centro da meta (4,5%). A alta acumulada dos últimos 12 meses até setembro foi de 6,5%. Desde abril deste ano, o Copom vinha elevando a Selic, comprometido em perseguir o centro da meta de inflação. A alta do dólar aumenta a pressão sobre a inflação, o que justificaria uma elevação da Selic. No entanto, um aumento nos juros na atual conjuntura contribuiria para uma desaceleração mais forte da economia brasileira, afirmam analistas. |
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