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Atualizado às: 01 de outubro, 2008 - 17h24 GMT (14h24 Brasília)
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Jean Charles foi morto em 'momento único' para Londres, diz policial
Jean Charles de Menezes, morto em Londres em 2005 (arquivo)
Jean Charles foi morto a tiros por policiais em Londres em 2005
O detetive policial Jon Boutcher, que dirigia a operação de busca a extremistas envolvidos em planos de atentado em Londres, afirmou nesta quarta-feira que a capital britânica vivia "um momento único" quando o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto por engano pela polícia.

"A minha avaliação é que Londres estava passando por um momento único, e nós estávamos tentando fazer planos de contingência para impedir mais ataques em outros lugares", disse Boutcher.

De acordo com o detetive, até mesmo unidades do Exército britânico foram colocadas em estado de alerta depois dos atentados frustrados no sistema de transporte público de Londres em 21 de julho de 2005.

No dia seguinte, Jean Charles foi morto ao ser confundido com um suspeito de envolvimento nos planos de ataque.

Em depoimento no novo inquérito sobre a morte do brasileiro, Boutcher disse que forças militares eram parte dos planos para proteger outras cidades do país.

A presença da polícia foi reforçada em Londres depois dos atentados que deixaram cerca de 50 mortos em 7 de julho, mas coordenadores de operações de combate ao terrorismo acreditavam que Birmingham e Manchester poderiam ser alvo de outros ataques suicidas.

Prontidão

Boutcher afirmou ao júri que era responsável por identificar os dois grupos de militantes que planejaram os ataques em Londres nos dias 7 e 21 de julho.

Horas depois dos ataques fracassados do dia 21, o detetive disse que a cúpula das operações britânicas antiterror discutiu, em uma reunião na sede da Scotland Yard, como proteger o resto do país.

A Polícia Metropolitana criou equipes especiais com dois integrantes que se desolcariam imediatamente para qualquer parte da Grã-Bretanha caso outras corporações policiais necessitassem de ajuda.

Boutcher disse que, em Londres, tinha ordenado que duas equipes estivessem prontas para agir caso fosse obtida qualquer informação sobre a localização dos quatro militantes ligados aos atentados frustrados.

A primeira unidade seria composta por policiais armados para observação, treinados para vigiar suspeitos secretamente. A segunda seria integrada por policiais da unidade especializada em armas de fogo, a CO19.

Boutcher afirma que sua preocupação era de que os militantes tivessem fugido e estivessem "se reorganizando em algum lugar para voltar e atacar em Londres".

"Eu estava especialmente ciente do que tínhamos descoberto em 7 de julho e que uma fábrica de bombas tinha materiais suficientes, peças e produtos químicos, para fazer mais artefatos", disse o policial.

O júri ouviu ainda que Boutcher saiu da sede da Scotland Yard nas primeiras horas da manhã e foi dormir.

Quando o detetive voltou, por volta das 7 horas da manhã, já havia começado uma operação para vigiar prédios de apartamentos ligados a um dos militantes. No prédio, ficava também o apartamento do brasileiro.

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