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Atualizado às: 17 de setembro, 2008 - 14h17 GMT (11h17 Brasília)
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Muçulmanos vêem 'comercialização excessiva' do Ramadã

Rua do Cairo à noite, com movimento maior por causa do Ramadã
Quem pode passa a viver mais à noite durante o Ramadã
A maioria dos muçulmanos em quatro países árabes diz acreditar que o mês sagrado do Ramadã está se comercializando em excesso, de acordo com uma nova pesquisa realizada pela empresa Maktoob Research.

Dos 6.128 entrevistados no Egito, no Marrocos, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, 67% disseram perceber uma comercialização em excesso do Ramadã.

"À medida que restaurantes e hotéis da região anunciam suas promoções especiais de iftar (a primeira refeição, após um dia inteiro de jejum), uma grande maioria sente que o Ramadã se tornou muito comercial", afirma o estudo.

Durante os 28 dias do nono mês do calendário lunar, os muçulmanos têm que praticar a abstinência absoluta de líqüidos, comida, fumaça e sexo, do nascer até o pôr-do-sol (mais ou menos das 5h30 às 18h nesta época do ano).

Calor

O estudo indica que a grande maioria das populações nos países pesquisados respeita os preceitos do Ramadã: 96% afirmaram estar observando o jejum e 89% disseram acreditar que o Ramadã é um exercício anual de auto-controle e disciplina.

As demandas do Ramadã, especialmente a proibição de beber água, estão particularmente difíceis neste ano em que o mês sagrado começou no início de setembro (com poucos dias de diferença entre alguns países), época em que as temperaturas permanecem altas, frequentemente beirando os 40°C.

Muitos optam por dormir durante o dia, mas - para quem não tem essa opção - cumprir as obrigações normais como trabalhar fica mais difícil.

"A última refeição antes do jejum, o suhour, é feita pouco antes das quatro da manhã", diz a faxineira egípcia Sihen, de 28 anos de idade, que afirma jejuar desde os oito anos. "Geralmente, não consigo dormir depois de comer e fico acordada direto."

Festa

A maioria dos entrevistados (71%) disse que, durante o Ramadã, sente que existe um sentimento maior de solidariedade e comunidade.

De acordo com a pesquisa, 83% afirmaram estar mais propensos a oferecer dinheiro para familiares e amigos como gesto de boa vontade.

São comuns também os banquetes depois do pôr-do-sol, sejam particulares ou públicos. Estes últimos são realizados nas ruas, patrocinados por lojistas e abertos a todos.

"É uma época boa, de disciplina e festa", afirma a estudante egípica Muna, de 25 anos. "O Ramadã está mais moderno, com mais produtos, mas não creio que tenha mudado em sua essência desde que eu era criança."

A pesquisa confirma o alto grau de religiosidade dos países árabes, com 74% dos entrevistados dizendo que, durante o Ramadã, passam seu tempo livre lendo o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Segundo a tradição islâmica, o Ramadã marca o início da revelação do Alcorão para o profeta Maomé, no ano 610, pelo anjo Gabriel.

A religião considera os cerca de 28 dias do Ramadã um período abençoado em que "as portas do Paraíso estão escancaradas, e a entrada do Inferno, fechada; os demônios estão todos fora de ação, e os anjos de Deus descem à Terra; e qualquer boa ação tem o peso multiplicado na contabilidade celeste do fiel".

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