|
Defesa da lei islâmica gera críticas a líder anglicano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A defesa da adoção de parte da lei islâmica, a sharia, na Grã-Bretanha, feita pelo líder da Igreja Anglicana, provocou uma onda de críticas de políticos e autoridades do país. Segundo o arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, a adoção de certos aspectos da a lei islâmica pela sociedade britânica é "inevitável". "O princípio de que existe apenas uma lei para todos é um pilar da nossa identidade como democracia ocidental. Mas acho que é um equívoco supor que as pessoas não tenham outras crenças que conformam e ditam como elas se comportam na sociedade", disse Williams, em entrevista à BBC veiculada na quinta-feira. "A lei precisa levar isto em conta." As declarações provocaram a reação de políticos do governo e da oposoção. O porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown disse que o premiê "acredita que as leis britânicas devem se basear nos valores britânicos". Já o ministro da Cultura, Andy Burnham, disse que a adoção da lei islâmica criaria um "caos social" na Grã-Bretanha. A responsável da oposição por acompanhar assuntos comunitários, Baronesa Warsi, também criticou o arcebispo. "Williams parece sugerir que deveria haver dois sistemas legais funcionando lado a lado, quase em paralelo, e que as pessoas tenham a possibilidade de optar por um ou por outro. Isso é inaceitável." Pela legislação britânica, cidadãos podem encontrar sua própria maneira de resolver alguns tipos de disputas, desde que ambos os lados concordem com o processo e com um mediador. Cortes islâmicas e judaicas ortodoxas que já existem no Reino Unido entram nesta categoria. Na entrevista à BBC, o arcebispo lamentou que cidadãos muçulmanos tenham de escolher entre "a fidelidade cultural e a fidelidade ao Estado" e sugeriu que disputas conjugais e financeiras em comunidades étnicas possam ser resolvidas por meio de uma corte islâmica. "Ninguém em sã consciência gostaria de ver neste país o tipo de desumanidade que às vezes é associada à prática da lei em alguns países islâmicos: as punições extremas, assim como a atitude em relação às mulheres." Entretanto, ele acrescentou, "uma abordagem da lei que simplesmente diga 'só existe uma lei para todos' é um tanto perigosa". Para o arcebispo, a Grã-Bretanha precisa reconhecer que nem todos os seus cidadãos se identificam com o sistema legal britânico. "Existe espaço para encontrar o que seria uma acomodação construtiva com alguns aspectos da lei islâmica, como já existe com alguns aspectos das leis religiosas", declarou o líder anglicano. Código legal e social A sharia é um código legal e social cuja finalidade é orientar o comportamento de muçulmanos. Mas as punições extremas adotadas em alguns países islâmicos geram polêmica nos países ocidentais. O diretor da Fundação Ramadã, Mohammed Shafiq, elogiou as declarações do arcebispo anglicano: "Acho que muçulmanos se sentiriam bastante confortáveis se o governo permitisse que seus assuntos civis fossem resolvidos segundo sua fé". Já o porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, Ibrahim Mogra, disse que a proposta não seria abrangente. "Estamos falando da aplicação de apenas um pequeno aspecto da sharia para famílias muçulmanas, em assuntos como casamento, divórcio, herança, custódia das crianças e daí em diante." "Vamos debater o assunto. É muito complexo. Não é tão simples quanto dizer que teremos um sistema legal aqui." |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Contos da Cantuária28 novembro, 2007 | BBC Report Homossexualismo é punido com pena de morte no Irã, diz ativista25 setembro, 2007 | BBC Report Iraniano é enforcado por crime cometido aos 13 anos06 dezembro, 2007 | BBC Report Tribunal na Malásia rejeita conversão de mulher ao cristianismo30 maio, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||