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Atualizado às: 08 de fevereiro, 2008 - 11h43 GMT (09h43 Brasília)
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Defesa da lei islâmica gera críticas a líder anglicano
Arcebispo da Cantuária, Roman Williams
Ao levantar tema, clérigo suscitou críticas no governo e oposição
A defesa da adoção de parte da lei islâmica, a sharia, na Grã-Bretanha, feita pelo líder da Igreja Anglicana, provocou uma onda de críticas de políticos e autoridades do país.

Segundo o arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, a adoção de certos aspectos da a lei islâmica pela sociedade britânica é "inevitável".

"O princípio de que existe apenas uma lei para todos é um pilar da nossa identidade como democracia ocidental. Mas acho que é um equívoco supor que as pessoas não tenham outras crenças que conformam e ditam como elas se comportam na sociedade", disse Williams, em entrevista à BBC veiculada na quinta-feira. "A lei precisa levar isto em conta."

As declarações provocaram a reação de políticos do governo e da oposoção. O porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown disse que o premiê "acredita que as leis britânicas devem se basear nos valores britânicos".

Já o ministro da Cultura, Andy Burnham, disse que a adoção da lei islâmica criaria um "caos social" na Grã-Bretanha.

A responsável da oposição por acompanhar assuntos comunitários, Baronesa Warsi, também criticou o arcebispo.

"Williams parece sugerir que deveria haver dois sistemas legais funcionando lado a lado, quase em paralelo, e que as pessoas tenham a possibilidade de optar por um ou por outro. Isso é inaceitável."

Pela legislação britânica, cidadãos podem encontrar sua própria maneira de resolver alguns tipos de disputas, desde que ambos os lados concordem com o processo e com um mediador. Cortes islâmicas e judaicas ortodoxas que já existem no Reino Unido entram nesta categoria.

 Williams parece sugerir que deveria haver dois sistemas legais funcionando lado a lado, quase em paralelo, e que as pessoas tenham a possibilidade de optar por um ou por outro. Isso é inaceitável.
Baronesa Warsi, porta-voz do Partido Conservador

Na entrevista à BBC, o arcebispo lamentou que cidadãos muçulmanos tenham de escolher entre "a fidelidade cultural e a fidelidade ao Estado" e sugeriu que disputas conjugais e financeiras em comunidades étnicas possam ser resolvidas por meio de uma corte islâmica.

"Ninguém em sã consciência gostaria de ver neste país o tipo de desumanidade que às vezes é associada à prática da lei em alguns países islâmicos: as punições extremas, assim como a atitude em relação às mulheres."

Entretanto, ele acrescentou, "uma abordagem da lei que simplesmente diga 'só existe uma lei para todos' é um tanto perigosa". Para o arcebispo, a Grã-Bretanha precisa reconhecer que nem todos os seus cidadãos se identificam com o sistema legal britânico.

"Existe espaço para encontrar o que seria uma acomodação construtiva com alguns aspectos da lei islâmica, como já existe com alguns aspectos das leis religiosas", declarou o líder anglicano.

Código legal e social

A sharia é um código legal e social cuja finalidade é orientar o comportamento de muçulmanos. Mas as punições extremas adotadas em alguns países islâmicos geram polêmica nos países ocidentais.

O diretor da Fundação Ramadã, Mohammed Shafiq, elogiou as declarações do arcebispo anglicano: "Acho que muçulmanos se sentiriam bastante confortáveis se o governo permitisse que seus assuntos civis fossem resolvidos segundo sua fé".

Já o porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, Ibrahim Mogra, disse que a proposta não seria abrangente.

"Estamos falando da aplicação de apenas um pequeno aspecto da sharia para famílias muçulmanas, em assuntos como casamento, divórcio, herança, custódia das crianças e daí em diante."

"Vamos debater o assunto. É muito complexo. Não é tão simples quanto dizer que teremos um sistema legal aqui."

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