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Bolívia: oposição fará greve contra medida de Morales | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na Bolívia, os cinco prefeitos (governadores) da oposição ao governo do presidente Evo Morales convocaram, nesta quinta-feira, uma greve geral de 24 horas para a próxima terça-feira, dia 19. A decisão foi anunciada em Santa Cruz, reduto da oposição, pouco depois de uma reunião dos prefeitos com Morales e sua equipe, em La Paz. O anúncio da paralisação confirma que eles continuam defendendo, "separadamente", suas agendas de discussão, como disse à BBC Brasil o analista político José Luis Galvez, professor da Universidade Evangélica Boliviana, em Santa Cruz, e gerente geral do instituto Equipos Mori na Bolívia. "Governo e oposição mantêm a mesma postura de antes do referendo revogatório de domingo. O referendo mostrou como as partes são diferentes e defendem propostas separadamente", disse, por telefone. "E o anúncio agora dessa greve só confirma o quanto é difícil se chegar a um entendimento". O encontro em La Paz foi marcado por Morales e tinha aberto a expectativa, no país, pelo início de um acordo. Petróleo Nesta quinta-feira, quatro dias após o referendo que confirmou tanto Morales quanto seus opositores nos cargos, e poucas horas após a reunião em La Paz, o presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Branko Marinkovic, leu o documento sobre a paralisação. Um protesto, entre outros motivos, contra o corte no repasse de verbas do tributo do setor de petróleo e gás para as nove prefeituras do país. Deste total, cinco são prefeituras governadas pela oposição – entre elas as mais ricas, Santa Cruz, Tarija e Chiquisaca, além de Beni e Pando. Juntas, elas representam mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. "Enquanto persistir o confisco dos recursos de nossos departamentos, advertimos as autoridades nacionais que a chegada à nossa região será considerada não grata e não bem-vinda", diz um dos itens do documento, divulgado pela Red Erbol. Na semana passada, na reta final da campanha eleitoral, alguns aeroportos foram ocupados por grupos que tentaram impedir a chegada de Morales. Por isso, ele pediu aos colegas da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, que desistissem, minutos antes do embarque, de uma viagem que fariam a Tarija. Ali, os três se reuniriam. Nesta quinta-feira, a oposição anunciou ainda o fim da greve de fome iniciada na semana passada pela devolução desta arrecadação petroleira. Morales Em La Paz, pouco antes de embarcar para Assunção, no Paraguai, onde acompanhará a posse do presidente Fernando Lugo, nesta sexta-feira, Morales criticou a atitude dos prefeitos opositores. O líder boliviano afirmou que os prefeitos da oposição "só se interessam pela parte econômica". Ele ainda declarou: "Acho que eles só querem dinheiro e não tocar outros assuntos do interesse dos bolivianos". Na prática, governo e oposição defendem "entendimento" e ainda "autonomias" e "combate à pobreza". Mas com conteúdos diferentes. Morales quer incluir a questão das autonomias – políticas, administrativas e financeiras – dos departamentos na nova Constituição. Os prefeitos da oposição rejeitam a nova carta, paralisada há oito meses. Ao mesmo tempo, querem que as autonomias sejam integradas à constituição em vigor. Nos quatro departamentos da chamada "meia-lua" – Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando -, os eleitores já votaram, este ano, pelas autonomias em relação ao governo central. "Como se vê, não é que estamos na mesma que antes do referendo, mas é visível que a situação não se descomplica", disse Galvez. A Bolívia possui cerca de 10 milhões de habitantes e é um dos países mais pobres da América Latina. Dono da segunda reserva de gás da região, vive uma longa disputa política que ninguém sabe quando terminará. |
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