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Atualizado às: 10 de agosto, 2008 - 00h20 GMT (21h20 Brasília)
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Morales: Referendo é 'reconciliação' de bolivianos

Indígena boliviana passa em frente a cartaz em apoio a Morales
Indígena boliviana passa em frente a cartaz em apoio a Morales
Pouco mais de 4 milhões de eleitores bolivianos vão às urnas neste domingo para votar pela continuidade ou não do presidente e de oito dos nove prefeitos (equivalentes a governadores) do país.

A poucas horas da abertura das urnas, às oito da manhã (9h do horário de Brasília), o presidente Evo Morales disse que esta votação obrigará a um "reencontro" e uma "reconciliação" dos bolivianos.

"Essa votação obrigará a um reencontro das autoridades, uma reconciliação do povo boliviano. Por isso, é importante a participação de todos”, disse Morales. O presidente pediu ainda que todos votem "em paz".

O apelo, feito após um evento oficial, veio após uma semana tensa. Duas pessoas morreram em confrontos com a polícia em um bloqueio da estrada que liga o Departamento (equivalente a Estado) de Cochabamba a Oruro e La Paz.

Protestos em diferentes aeroportos impediram que o presidente realizasse campanha eleitoral em Departamentos como Tarija e Beni.

A situação o levou a pedir, na terça-feira, aos colegas da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Cristina Kirchner, que suspendessem uma viagem que fariam a Tarija – principal pólo de gás da Bolívia, de onde o produto parte para o mercado argentino.

Ao mesmo tempo, mineiros e professores interromperam o trânsito em diversas estradas, em protesto por uma lei de aposentadoria cujo texto está no Congresso Nacional.

Neste sábado, os mineiros teriam aceitado uma trégua de 45 dias, segundo a oficial Agência Boliviana de Informação (ABI). Mas pessoas incapacitadas mantinham manifestação em Beni.

Opositores de Morales mantinham a greve de fome que começaram na segunda-feira em protesto contra o corte nos recursos gerados pelo setor de hidrocarbonetos.

Desafio

A votação deste domingo é vista como um dos principais desafios do líder boliviano. Estima-se que 300 observadores – incluindo do Mercosul – acompanhem o plebiscito.

A previsão é de que as urnas sejam fechadas às 16h (17h em Brasília) e que duas horas mais tarde sejam divulgados os primeiros resultados de contagem rápida – não é boca de urna, mas é vista como tal. O resultado final poderá demorar dias.

Segundo diferentes pesquisas de opinião, o líder boliviano deverá ser ratificado no cargo para o qual foi eleito em dezembro de 2005, com mandato até 2010.

Levantamentos como o do instituto Ipsos-Apoyo indicam que pelo menos quatro dos seis prefeitos da oposição também deverão ser confirmados em seus postos. Entre eles, os da chamada "meia lua", no oriente do país – Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.

As pesquisas sugerem que existem dúvidas sobre a permanência dos prefeitos de La Paz, Cochabamba e Potosí.

O prefeito de Cochabamba, Manfred Reys Villa, disse que a consulta é "ilegal" e que não a "reconhece".

Por sua vez, o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, afirmou que Morales será revogado neste departamento – o mais rico do país.

As disputas contribuem para intensificar as incertezas sobre o que ocorrerá no dia seguinte à votação.

O secretário geral da ONU (Organização de as Nações Unidas), Ban Ki-Moon, e o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, pediram, na sexta-feira, que os protagonistas deste referendo criem um "clima de paz" durante e depois da votação.

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