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Desaceleração da UE expõe 'ponto fraco' do Brasil, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A desaceleração da economia européia, reforçada através de novos indicadores nesta quinta-feira, expõe um "ponto fraco" na estratégia de exportação brasileira centrada na venda de produtos agrícolas, segundo a avaliação de um economista ouvido pela BBC Brasil. Para o francês Thomas Coutrot, as exportações de commodities, um dos pontos mais fortes do país, podem se revelar o contrário diante do recuo das maiores economias do continente. É que a diminuição da demanda dos mercados internos europeus tem o potencial de afetar as exportações brasileiras de produtos básicos, ele argumenta. "A estratégia de exportação de produtos agrícolas pelo Brasil deu muito certo até agora. Mas está se revelando um ponto fraco, porque a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos não vai poupar o Brasil", disse o francês Thomas Coutrot. Nesta quinta-feira, o Departamento de Estatística oficial da Comunidade Européia, Eurostat, divulgou que o PIB dos 15 países da zona do euro recuou 0,2% no segundo trimestre em comparação com os três primeiros meses do ano. Nos 27 países do bloco, a retração foi de 0,1%. Para o economista, o anúncio não é uma boa notícia para o Brasil, que destina um quarto de suas exportações ao bloco europeu. O governo brasileiro tem enfatizado que grande parte do crescimento do país se deve à atividade interna, sobretudo ao aumento do consumo dos brasileiros. Mesmo assim, Coutrot acredita que há "necessidades não supridas" no mercado interno, "como habitação, transporte e alimentação." Ele acredita que o governo do Brasil deveria reequilibrar o modelo de crescimento do país e se voltar para tais necessidades. Desaceleração econômica Segundo o Eurostat, a economia alemã, a maior da Europa, caiu 0,5% de abril a junho em comparação com o período anterior - o primeiro declínio desde 2004. Na França e Itália, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,3% no segundo trimeste. A desaceleração foi alimentada por uma redução das exportações, motivada pela valorização do euro, e a diminuição dos gastos do mercado interno. Para aministra francesa da Economia, Christine Lagarde, o declínio da economia da França reflete "como a deterioração do contexto internacional está pesando sobre as exportações". Já o vice-ministro da Economia alemão, Walther Otremba, disse que a economia do país poderá contrair novamente no terceiro trimestre, colocando o país oficialmente em recessão. "Neste momento, esta hipótese não pode ser descartada", afirmou. Otremba ressaltou, no entanto, que o governo ainda mantém sua previsão de que a economia crescerá 1,7% em 2008. A Grã-Bretanha e a Espanha foram as únicas grandes economias da zona do euro a não apresentar números negativos no trimestre. Em compensação, os dois países lutam contra os índices de inflação, os maiores registrados nos últimos anos. Segundo o Eurostat, a economia britânica avançou 0,2% entre abril e junho e a espanhola, 0,1% em comparação com o trimestre anterior. Por outro lado, a taxa anual de inflação subiu para 5,3% em julho na Espanha, a maior nos últimos 15 anos, impulsionada pelo alto preço dos alimentos e combustíveis. Na Grã-Bretanha, a inflação anual chegou a 4,4%, o maior índice desde que a taxa começou a ser medida, em 1997. |
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