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'Aeroporto de Beirute tem importância estratégica para Hezbollah' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Principal portão de entrada e saída de estrangeiros no Líbano, o aeroporto de Beirute tem grande importância estratégica para o grupo Hezbolah, como disse à BBC Brasil, Bilal D., um ‘comandante’ do grupo xiita, responsável pela segurança em dois bairros localizados nas imediações do aeroporto. Ele negou, entretanto, que o grupo tenha uma estrutura de segurança paralela dentro do aeroporto. Mas confirmou que o Hezbollah tem aliados dentro e que usa sua influência junto ao departamento de segurança do aeroporto comandada pelo general xiita Wafic Choucair. “O Hezbollah não seria o que é hoje se não tivesse os olhos lá dentro. O aeroporto é estratégico para a resistência pois muitos estrangeiros a serviço dos nossos inimigos entram por lá”, declarou ele. A influência do grupo xiita no controle do aeroporto é conhecida, tendo estado inclusive na origem dos confrontos de maio. Mas para muitos, o grupo xiita exerce de fato um controle efetivo de quem entra e sai do Líbano, passando pelo aeroporto da capital. Um oficial das Forças de Segurança Interna (FSI) que trabalha no aeroporto, disse à BBC Brasil que o grupo opera um esquema de segurança paralelo ao do governo libanês no aeroporto de Beirute – principal porta de entrada e saída de estrangeiros do Líbano. Segundo ele, o general Wafic Choucair é um forte aliado do grupo xiita. “Com a influência de Choucair, o Hezbollah tem inclusive militantes seus passando por funcionários da segurança na área de desembarque de passageiros. Todos são controlados, principalmente estrangeiros”, disse o oficial. “Não é segredo o Hezbollah controlar o aeroporto, quando o governo tentou mudar isto, aconteceram aqueles confrontos de maio”, acrescentou o oficial. Em maio deste ano, o governo emitiu uma ordem retirando Choucair do cargo por causa de suas relações com o Hezbollah. A medida foi uma das causas de prostestos do grupo que logo descambaram para a violência, deixando 65 mortos e 200 feridos. O governo acabou voltando atrás na decisão e reintegrou o general ao seu posto no aeroporto. Um acordo de paz foi depois alcançado entre os dois lados, intermediado pelo governo do Catar. Poder paralelo O analista político Sami Saad disse que o governo libanês há muito tempo tenta neutralizar, sem sucesso, o poder paralelo do Hezbollah sobre o aeroporto. “O Hezbollah controla quem entra e quem sai. Aos olhos deles, as forças de segurança não são confiáveis porque o grupo simplesmente não confia neste governo de que agora ele mesmo faz parte”, disse Saad. Na semana passada, a brasileira Nariman O. C. e seu filho foram impedidos de embarcar de volta ao Brasil devido a uma ordem expedida por um tribunal religioso de Baalbek, cidade que é forte reduto do Hezbollah. Ela tentou sair do país para fugir do marido, o libanês Ahmed Holeihel, que seria um simpatizante do Hezbollah. Segundo Nariman, Holeihel a espancava constantemente e a ameaçava de morte. O documento do tribunal de Baalbek não era considerado oficial pelo governo mas, de acordo com uma fonte das FSI ouvida pela BBC Brasil, o Hezbollah encaminhou a ordem para a segurança do aeroporto, colocando-a no sistema e impedindo a brasileira e o filho de deixarem o Líbano. Enquanto o consulado e um adovgado tentam resolver a situação, Nariman e o filho permanecem escondidos. Para Saad, o fato de que o nome da brasileira constasse na lista de impedidos de viajar e o envolvimento do Hezbollah em encaminhar uma ordem dada por um tribunal a pedido do marido não é nenhuma surpresa. “Não é a primeira vez que isso acontece. A força do Hezbollah para ditar as normas e burlar as leis dentro do Líbano é muito grande”. |
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