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Atualizado às: 30 de julho, 2008 - 12h59 GMT (09h59 Brasília)
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Hezbollah impediu brasileira de deixar Líbano, dizem autoridades

Bloqueios na estrada para aeroporto de Beirute (maio de 2008)
Em maio, aeroporto foi alvo de disputa entre governo e Hezbollah
Uma brasileira e seu filho foram impedidos na semana passada de viajar ao Brasil pelo aeroporto de Beirute devido a uma ordem supostamente dada pelo grupo xiita Hezbollah. A informação foi confirmada à BBC Brasil por uma fonte das forças de segurança do Líbano.

Segundo o consulado do Brasil na capital libanesa, a brasileira Nariman O. C., de 21 anos, vinha sofrendo com a violência do marido, o libanês Ahmad Holeihel, um simpatizante do Hezbollah.

O caso está sendo tratado com extrema cautela pelo consulado e envolve, inclusive, o trabalho da Organização Não-Governamental KAFA, que ajuda mulheres vítimas de violência doméstica.

O aeroporto de Beirute – principal porta de entrada e saída de estrangeiros no país – é alvo de disputa política entre o Hezbollah e o governo do Líbano. Atualmente, a segurança do aeroporto está a cargo do grupo xiita.

Documento não-oficial

De acordo com o cônsul-geral Michael Gepp, a brasileira fugiu do marido e logo procurou o consulado para pedir ajuda.

No dia 21 de julho, Nariman tentou embarcar de volta ao Brasil com o filho de seis anos, que também é brasileiro, mas disse que foi informada de que ambos estavam impedidos de deixar o país, segundo um documento supostamente emitido por um tribunal religioso de Baalbek.

Segundo o consulado, as Forças de Segurança Interna (FSI), do governo do Líbano, disseram que o documento não é oficial. Trataria-se de uma carta não-oficial emitida por uma entidade ligada ao Hezbollah.

De acordo com o cônsul-geral brasileiro, o oficial das FSI disse que o documento impedia a brasileira e o filho de viajar e que nada poderia ser feito.

Um oficial das Forças de Segurança Internas confirmou para a BBC Brasil que o documento do tribunal religioso de Baalbek foi entregue à segurança do aeroporto pelo Hezbollah, impedindo a saída da brasileira.

"Não sei qual a queixa contra mim que me impede de voltar ao Brasil, mas já conversei com o advogado para ver minhas opções legais", disse Nariman à BBC Brasil.

Pelas leis do Líbano, a mãe pode viajar com o filho sem autorização do pai.

A brasileira é natural de Paranaguá, no Paraná, e no início do ano chegou ao Líbano com o marido e o filho.

Eles moravam em Baalbek, no Vale do Bekaa, a 90 quilômetros de Beirute, cidade que é um dos fortes redutos do Hezbollah no país.

Segundo ela, Holeihel a espancava constantemente e a ameaçava de morte.

Nariman e o filho já trocaram de endereço três vezes desde então, se refugiando em casa de parentes ou em lugares providenciados pela ONG.

Passaporte rasgado

De acordo com o cônsul brasileiro, o passaporte do filho havia sido rasgado pelo pai, mas o consulado emitiu um novo em caráter emergencial.

Com o apoio do consulado, a ONG contratou um advogado para tentar reverter a ordem.

"No momento, estamos acompanhando o caso e ver o que pode ser feito. O consulado já comunicou o Itamaraty, pois trata-se de uma caso muito sério", disse o cônsul.

Vários políticos e analistas já alertavam nos últimos anos sobre o fato do Hezbollah monitorar e controlar o aeroporto do país, inclusive com ordens extra-oficiais.

As instituições de segurança libanesas pouco podem fazer sobre o poder do grupo.

Em maio deste ano, o primeiro-ministro Fouad Siniora emitiu uma ordem retirando do cargo o chefe de segurança do aeroporto, um aliado do Hezbollah.

As medidas provocaram a ira do grupo xiita, que respondeu com protestos pelo país e que culminaram em choques entre milícias pró e anti-governo que quase levaram o Líbano a uma nova guerra civil.

A onda de violência, que deixou todo o oeste de Beirute ocupado por milícias do Hezbollah, matou 65 pessoas e feriu ao menos 200.

O governo acabou voltando atrás na sua decisão e reintegrou o aliado do Hezbollah ao seu posto no aeroporto. Um acordo de paz foi depois alcançado entre os dois lados, intermediado pelo governo do Catar.

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