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Negociações da Rodada Doha entram em fase decisiva | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As negociações da Rodada Doha entram em uma fase decisiva neste domingo, quando os 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) reunidos em Genebra voltam a debater o último pacote de propostas elaborado pelo diretor geral da organização, Pascal Lamy. Depois de um sábado dedicado a reuniões entre os distintos grupos aliados, a expectativa é de que algumas delegações proponham novas cifras para os pontos mais polêmicos nos capítulos agrícola e industrial. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, se disse satisfeito com a proposta que está no papel, que prevê redução média de 54% nas tarifas de importação sobre produtos agrícolas aplicadas pelos países emergentes e limita a proteção a 14% dos setores sensíveis, que poderiam ter um corte menor. Mas Amorim está tendo trabalho para convencer seus principais parceiros no G20, Argentina e Índia, a ser flexíveis. Por sua parte, a Índia não está satisfeita com os critérios estabelecidos para a aplicação das chamadas salvaguardas especiais, que permitiriam ao países em desenvolvimento proteger-se de aumentos muito elevados nas importações de alimentos. Paraguai e Uruguai, que destinam a maior parte de suas exportações agrícolas a outros países em desenvolvimento, são contra essa facilidade. Conciliação O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, irá à reunião deste domingo pressionado pelos governos de alguns dos países chave do bloco, como a França e a Irlanda, que consideram os números de Lamy “desequilibrados” em relação ao que é pedido e oferecido. Ao aceitar limitar seus subsídios internos em US$ 14,5 bilhões, os Estados Unidos consideram que já deram sua contribuição para o acordo. Além da série de consultas bilaterais, os resultados da reunião de sábado sobre a abertura dos mercados de prestação de serviços podem facilitar o entendimento nessa próxima reunião. Alguns diplomatas confiam que o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, adotará uma postura menos radical depois da promessa dos Estados Unidos de facilitar o acesso de profissionais altamente qualificados procedentes desse país a seu mercado de trabalho. Neste domingo os negociadores também terão que conciliar os interesses dos países africanos, que pedem uma redução significativa nos subsídios dados pelos Estados Unidos a seus produtores de algodão e se opõem à oferta da União Européia de reduzir as tarifas de importação sobre a banana importada de países latino-americanos. Uma nova proposta dos europeus considera que até 2016 as tarifas impostas aos produtores de banana da América Latina passem gradativamente dos atuais 176 euros a 114 euros por tonelada. A iniciativa é criticada pelos produtores africanos, que se beneficiam de um sistema de preferências que permite que suas bananas entrem no mercado europeu isentas de tarifas. Todas as peças desse quebra-cabeças terão que ser postas no lugar até a próxima quarta-feira, a nova data na qual as reuniões estão programadas para terminar. Isso se ninguém optar por abandonar o jogo antes. |
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