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Uribe admite uso irregular de logo da Cruz Vermelha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, admitiu nesta quarta-feira que o símbolo da Cruz Vermelha foi utilizado indevidamente durante a operação de resgate da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e outros 14 reféns há duas semanas. O governo colombiano não tinha autorização do organismo para usar o emblema. De acordo com Uribe, por um "erro" e por "nervosismo", um membro da equipe militar utilizou sobre sua roupa o símbolo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) durante o resgate dos reféns que estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A utilização indevida do emblema da Cruz Vermelha pode ser considerada como um "crime de guerra", de acordo com analistas de direito internacional, por contrariar a Convenção de Genebra e a legislação internacional humanitária. Em um comunicado, a Cruz Vermelha afirmou ter acompanhado o anúncio de Uribe e que o emblema não poderia ter sido utilizado. "Como guardião do direito internacional, o CICV recorda que o uso do emblema da Cruz Vermelha está especificamente regulamentado pelos convênios de Genebra (...). O emblema tem que ser respeitado em todas circunstâncias e não pode ser usado." Desculpas O presidente colombiano disse que o militar "colocou sobre seu colete um pedaço de tela que levava o emblema da Cruz Vermelha" e que a medida foi produto de "seu nervosismo". Para realizar a chamada "Operação Xeque", o governo colombiano afirma ter armado uma encenação para enganar os guerrilheiros, simulando que os reféns seriam entregues a uma missão humanitária internacional. A intenção era copiar partes de uma missão similar, patrocinada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para o resgate de seis reféns que as FARC entregaram unilateralmente no início deste ano. As Farc por sua vez afirmam que não houve resgate e sim "traição" dos dois guerrilheiros que foram presos pelo Exército na operação. Segundo uma das versões para o resgate, não confirmada, eles teriam recebido até US$ 20 milhões (mais de R$ 30 milhões) para liberar os reféns. O presidente colombiano afirmou que o militar agiu "equivocadamente e contrariando as ordens dadas". Uribe disse que membros de seu governo pediram desculpas ao CICR. Imediatamente após o resgate dos reféns a representação do CICR em Bogotá negou ter tido qualquer participação na operação. "Lamentamos que isso tenha ocorrido, o ministro de Defesa, Juan Manuel Santos e o alto comando (das Forças Armadas) se reuniram esta manhã com o representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para dar mais explicações e apresentar desculpas", disse Uribe durante um ato público. "Como chefe constitucional das Forças Armadas e responsável pela operação "Xeque", assumo a responsabilidade política deste erro", disse Uribe. A informação veio à tona depois que o canal de TV CNN informou que um militar tentou vender à emissora supostas provas que mostrariam o uso do símbolo do CICR durante a operação militar. As provas não foram reveladas, porque o canal teria se negado a pagar o preço pedido pelo oficial militar pela informação. |
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