BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 16 de julho, 2008 - 01h21 GMT (22h21 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Governo argentino e ruralistas retomam disputa com protestos

Manifestantes com máscaras de Néstor e Cristina Kirchner e cartaz de apoio ao setor rural
Manifestação do setor rural teve presença de opositores do governo
Com duas manifestações que reuniram multidões em dois pontos diferentes da capital argentina nesta terça-feira, o governo da presidente Cristina Kirchner e os ruralistas retomaram a disputa após um período de trégua.

Os protestos em Buenos Aires ocorreram um dia antes da votação no Senado da proposta do governo que prevê o aumento dos impostos sobre as exportações do setor agropecuário.

O projeto de lei, que já foi aprovado no início do mês pela Câmara dos Deputados, é motivo de uma queda-de-braço entre o governo e o setor rural desde que foi lançado, em março.

Segundo dados extra-oficiais divulgados pela emissora de televisão Todo Noticias (TN), o comício em apoio à medida, liderado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, reuniu 95 mil pessoas em frente ao Congresso Nacional.

Entre a multidão, marcaram presença os "tocadores de bumbo" – homens que tocam o instrumento e são um símbolo dos protestos do peronismo.

De acordo com a TN, 225 mil pessoas participaram da manifestação organizada pelos representantes do setor agropecuário, no bairro de Palermo. O protesto reuniu também políticos opositores de diversas legendas.

"Já não é mais um protesto contra e outro a favor dos fazendeiros", disse o cientista político Roberto Bacman, do Instituto Ceop. "O setor rural passou a reunir os opositores ao governo."

Kirchner

Em um discurso de quase 30 minutos, o ex-presidente Kirchner fez fortes críticas aos ruralistas.

"Quiseram destituir o governo nacional e popular (de Cristina)", disse o ex-presidente. "Damos a outra face, porque estamos em defesa do povo."

O ex-presidente afirmou que o aumento de impostos permitirá que os argentinos não sofram com a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional.

Manifestação em apoio ao governo de Cristina Kirchner
Néstor Kirchner comandou ato em frente ao Congresso Nacional

Durante a longa disputa entre governo e ruralistas, Kirchner chegou a dizer que os ruralistas ficariam "de joelhos".

Suas palavras provocaram uma resposta do presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Mario Llambias, no comício de apoio aos ruralistas desta terça-feira.

"Disseram que nos queriam de joelhos. Mas essa multidão mostra que estamos firmes", disse Llambias. "Somos nós que podemos colocar a Argentina de pé."

Apelo aos senadores

Os líderes ruralistas fizeram um apelo aos senadores para que não aprovem o projeto de lei.

"Legisladores nacionais, vocês têm a possibilidade de votar pelo povo", disse Alfredo de Angelis, da Federação Agrária da província de Entre Ríos, o primeiro a falar no comício de apoio ao campo.

"Essa medida não pode ir adiante", disse o presidente da Sociedade Rural, Luciano Miguens. "É injusta, confiscatória e inconstitucional."

Em seu discurso, o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, se referiu a acusações feitas por Néstor Kirchner e recentemente também por Cristina.

"Quem pode imaginar que queremos desabastecer os argentinos? Nos culpam pela inflação, pela baixa arrecadação e nos acusam de conspirar (contra o governo), o que não temos capacidade de fazer", disse Buzzi.

Protestos

Os protestos do setor rural argentino vêm sendo realizados desde março, quando o projeto de aumento de impostos foi lançado pelo governo, com alguns períodos de trégua.

Historicamente, o setor agropecuário sempre foi o principal da economia argentina. Atualmente, o setor representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

As manifestações já incluíram bloqueio de estradas e panelaços nas cidades e chegaram a provocar desabastecimento.

Os protestos também motivaram a saída do ministro da Economia, Martín Lousteau, e são considerados a maior crise enfrentada por Cristina Kirchner desde que assumiu o poder, em dezembro passado.

Bloqueio de estrada na Argentina. Foto: AFP/ Getty ImagesArgentina
Protestos batem recorde no 1º semestre, diz estudo.
Roberto LavagnaEntrevista
Argentina abandonou plano que recuperou país, diz Lavagna.
SojaArgentina
O que está por trás da disputa entre ruralistas e governo.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade