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Depois de recuo, Cristina Kirchner critica ruralistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, criticou nesta quarta-feira os líderes do setor agropecuário durante discurso para milhares na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, no centro de Buenos Aires. Cristina Kirchner fez o discurso um dia depois de enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê aumento de impostos às exportações de grãos, principalmente soja. A intenção original do governo era impor o aumento dos impostos por decreto - mas ele acabou recuando e aceitando a exigência dos ruralistas de enviar o projeto ao Congresso. A medida foi anunciada em março e há 99 dias gera protestos dos ruralistas. "Talvez essas quatro pessoas, embaladas por seus interesses, não percebam o que estavam fazendo", disse a presidente sobre os líderes das quatro entidades agropecuárias do país. "Acho que eles estavam confusos quando decidiam quem podia passar ou não nas estradas", acrescentou. "Quero pedir em nome dos argentinos: liberem as estradas e nos deixem trabalhar." Reprise Cristina Kirchner reiterou que pretende gerar distribuição de riqueza com a arrecadação extra de impostos. Ela anunciou o envio do texto ao Parlamento depois de uma segunda-feira de fortes panelaços e buzinaços em todo o país. "Juro que quando tomei esta decisão não foi para prejudicar ninguém", disse nesta quarta-feira. "Mas para garantir os alimentos na mesa dos argentinos." "Há cem anos, esse país era um dos principais produtores de carne e de grãos, mas os que viviam aqui morriam de fome", acrescentou a presidente, com voz embargada. "Não queremos mais isso." Esta foi a segunda vez desde o início da disputa entre governo e ruralistas que Cristina Kirchner discursou na Praça de Maio. Resposta Logo depois de suas palavras, a Confederação das Associações Rurais da Argentina (Carbap), uma das quatro entidades rurais do país, divulgou um comunicado. "A Carbap denuncia outra armadilha do governo. O projeto de lei enviado ao Congresso Nacional não poderá ser debatido", diz a mensagem. "A presidente fala em aprofundar a democracia, mas não está fazendo isso na prática." Por sua vez, o vice-presidente da Confederação Agrária Argentina (CRA), Ricardo Buryaile, disse que não são os ruralistas que estão bloqueando o trânsito, e sim os caminhoneiros. O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, confirmou que o projeto de lei, como foi enviado, não poderá ser debatido no Congresso, onde o governo tem maioria. Os parlamentares poderão apenas rejeitar ou aprovar o aumento de impostos que, nestes quase cem dias, causou a saída do ministro da Economia, Martín Lousteau, o desabastecimento e a paralisação dos caminhoneiros, além de provocar reflexos na economia. "Essa medida já tinha sido modificada três vezes para atender aos pequenos produtores", justificou Fernández. Os ruralistas, que receberam apoio com os panelaços da última segunda-feira, mantêm o protesto até a meia-noite, mas ainda não anunciaram se voltarão ou não a comercializar seus grãos. |
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