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Brasileiros são presos na Itália acusados de explorar travestis | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A polícia militar italiana prendeu quatro brasileiros na noite desta quarta-feira, em Roma, sob a acusação de lucrar com a prostituição de travestis e facilitar a entrada irregular de imigrantes no país. De acordo com a polícia, os brasileiros estavam irregularmente no país e faziam parte de uma quadrilha que lucrava trazendo travestis brasileiros para a Itália sem documentação legal, obrigando-os a se prostituir nas ruas de Roma. Na operação, chamada de “Gold Night 3”, também foram presos cinco italianos. Segundo a polícia, a quadrilha recrutava travestis no Brasil, cobrando de cada um cerca de R$ 30 mil pela viagem e pela entrada na Itália. Promessa “Eles vinham com a promessa de trabalhar em shows e espetáculos de teatro. Chegando aqui, no entanto, eram colocados nas ruas para se prostituir”, disse à BBC Brasil o coronel Alessandro Casarsa, um dos responsáveis pela operação. De acordo com a polícia, uma vez instalados em Roma, os travestis deviam pagar cerca de R$ 750 por semana pela hospedagem em pequenos apartamentos, que dividiam com mais sete ou oito pessoas. Além disso, segundo a polícia, havia ainda o pagamento de R$ 7,5 mil pelo ponto onde se prostituíam, em diversas regiões da capital italiana. “Conseguimos descobrir como funcionava o esquema de cobrança pelo ponto depois de infiltrar alguns agentes se fingindo de travestis”, afirmou o coronel Casarsa. Casarsa disse que os travestis cobravam cerca de R$ 450 por encontro, chegando a manter até 20 relações por noite. Segundo o coronel, parte do dinheiro que ganhavam com a prostituição era mandada para familiares no Brasil. Operação A operação da polícia romana faz parte de uma ação mais ampla, que começou em 2006 e rendeu 31 detenções até agora. “A primeira fase foi em abril de 2007, e a segunda, em fevereiro deste ano. Controlamos em tudo cerca de 100 pessoas. Destas, 31 foram detidas. Do total, 80% são brasileiros”, disse Casarsa. De acordo com o coronel, as investigações continuam para obter mais informações sobre o esquema de imigração irregular e exploração da prostituição. “Queremos saber se há outras estruturas e quem fornecia remédios, porque há vários doentes de Aids entre os envolvidos”, afirmou Casarsa. O coronel disse também que houve uma boa colaboração entre a polícia italiana e a brasileira, através da Interpol. “É nosso interesse e das autoridades brasileiras evitar que haja essa corrida ao ouro de pessoas, talvez desesperadas por motivos econômicos, que vêm para cá esperando fazer atividade teatral e acabam se prostituindo nas ruas”, afirmou. |
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