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Atualizado às: 18 de junho, 2008 - 12h47 GMT (09h47 Brasília)
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Brasileiros são presos na Espanha por falsificação

Foto da polícia espanhola mostra parte do material apreendido
Polícia encontrou RGs, passaportes e 14,2 mil euros em dinheiro
Numa investigação chamada de "operação carioca", a polícia espanhola prendeu nesta quarta-feira uma quadrilha de 16 brasileiros acusados de falsificar documentos europeus.

O grupo atuava nas cidades de Madri e La Coruña, e já tinha lucrado em torno de 250 mil euros (cerca de R$ 625 mil) em cinco meses vendendo RGs e passaportes falsos a outros brasileiros.

Com esta operação policial já são 12 as quadrilhas brasileiras de falsificadores desbaratadas na Espanha nos últimos 12 meses. Um balanço de 138 presos em 13 cidades.

A operação dirigida pela Brigada Central de Falsificações da Polícia Nacional Espanhola começou no início do ano, quando os detetives encontraram pistas da venda de RGs e passaportes portugueses e italianos nas ruas de Madri e La Coruña.

A quadrilha oferecia a imigrantes brasileiros em situação ilegal um RG por 200 euros, e passaporte por 3 mil euros.

No passado dia 3 de junho foi feita a primeira blitz, com a prisão de dois membros da quadrilha. Eles contaram que outras 14 pessoas estavam envolvidas e que os dois chefes estavam de viagem marcada para fugir para o Brasil.

Os acusados de liderar o grupo são D.M.V., de 28 anos, e A.F.R, de 24 (a polícia só divulgou as iniciais). Eles criavam as falsificações no apartamento onde moravam, na capital espanhola.

Na apreensão, foram encontrados 14,2 mil euros em dinheiro, dezenas de passaportes falsos, RGs, carteira de identidade para estrangeiros, carteiras de motorista de vários países europeus, carimbos falsificados, fotos, computadores e impressoras de alta definição.

Máfias brasileiras

Segundo as estatísticas da UCRIF (Unidade Contra Redes de Imigração e Falsificação), os brasileiros são, junto com os nigerianos, os maiores responsáveis pelas máfias de documentos ilegais no país.

O esquema brasileiro tem ramificações em Portugal, Itália e Inglaterra. As quadrilhas compram documentos verdadeiros de europeus e os adulteram.

De acordo com as informações da polícia, a maior parte desses documentos provém de roubos.

São principalmente RGs portugueses e italianos. O documento oficial mantendo os dados originais só recebe outra foto de um imigrante brasileiro.

Com um passaporte, RG, carteira de motorista e até certificados profissionais, os imigrantes conseguem receber os mesmos benefícios sociais que os cidadãos europeus, como seguro desemprego e assistência médica.

A polícia informou que os brasileiros serão entregues à Justiça, mas é provável que sejam expulsos imediatamente antes de serem julgados em Madri. A nova lei de imigração prevê extradição urgente de estrangeiros que cometam delitos no país.

Se chegarem a ser julgados na Espanha, a pena para o crime de falsificação vai de três a seis anos de cadeia. Quem compra documento falso também é indiciado pelo mesmo crime.

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