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Atualizado às: 17 de junho, 2008 - 10h28 GMT (07h28 Brasília)
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Favelados não sabem de quem devem ter mais medo, diz 'Página/12'
Favela do Rio
Os moradores das favelas do Rio não sabem "se devem ter mais medo dos criminosos civis ou dos uniformizados", diz o Jornal argentino Página/12 em sua edição desta terça-feira.

Segundo o jornal, o caso dos militares que entregaram os três jovens do Morro da Providência para serem executados pela facção rival do Morro da Mineira, apesar de ser um caso isolado, “abre uma nova – e pesada - ameaça aos habitantes das favelas da cidade”.

Sob o título “As muitas cruzes que padecem as favelas do Rio”, o Página/12 afirma que se espera que às três cruzes já carregadas pelos moradores, “os narcotraficantes, a polícia e as milícias”, não se some o Exército.

“Seria demais para os moradores dessas amplas zonas de miséria, abandono e humilhação incrustadas na cidade, que insistem em sobreviver.”

“Há pouco mais de um ano e meio, as favelas do Rio de Janeiro são alvo de disputa entre narcotraficantes e milícias, grupos de policiais que, atuando por conta própria, os expulsam e impõem suas leis, transformando a região em um negócio”, comenta o Página/12.

O jornal ainda destaca o apoio que as milícias recebem de vereadores e deputados estaduais e afirma que cada tentativa de reprimi-las (as milícias) é respondida com mostras de poder “que se traduzem no assassinato de algum comissário, ou o seqüestro e tortura de jornalistas. Quando isso ocorre, como há pouco, a reação das autoridades é inócua”.

El País

O jornal espanhol El País também destacou o caso, afirmando que “as favelas da cidade brasileira do Rio de Janeiro, sempre martirizadas, estão revoltadas e indignadas com a notícia da detenção de 11 militares acusados de vender três jovens aos narcotraficantes de uma favela rival para serem executados”.

“Falta saber se os três jovens, antes de ser executados, foram também torturados, como é prática habitual dos traficantes nesses casos. Quando foram encontrados, os corpos dos três jovens já estavam em estado de putrefação.”

O jornal ainda comenta que os moradores do Morro da Providência entraram em choque com os militares que patrulham o bairro, na segunda-feira, e questiona se a idéia de ter militares patrulhando as favelas mais violentas é realmente conveniente.

“Se sabia da corrupção em certos setores da polícia do Rio em conivência com os narcotraficantes, mas o incidente ocorrido agora revela que esta também chegou ao seio do Exército”, conclui o El País.

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