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Análise: Incerteza política agrava crise alimentar no Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A notícia de que o Parlamento do Haiti rejeitou novamente o primeiro-ministro apontado pelo presidente René Preval é mais um dos inúmeros obstáculos enfrentados pelo país na tentativa de resolver uma grave crise causada pela alta mundial do preço dos alimentos. O Haiti está sem primeiro-ministro desde abril, quando Jacques-Edouard Alexis foi afastado pelo Senado depois de uma semana de protestos contra o alto preço da comida. Pelo menos seis pessoas morreram na ocasião. A partir de então, agências de ajuda humanitária vêm alertando que o Haiti – que já é considerado o país mais pobre do Hemisfério Ocidental – está enfrentando uma crise alimentar gravíssima. O país caribenho importa praticamente toda a comida que consome e, na semana passada, a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO) alertou que o Haiti será a nação mais vulnerável do mundo este ano diante das altas contas com importações de alimentos. Fatores Os gastos do país este ano com trigo, arroz e óleo vegetal devem aumentar mais de 80% este ano, bem mais do que os de países igualmente dependentes da importação de alimentos, como Suazilândia, Quênia e Benin. Dentro do país, os preços já aumentaram pelo menos 50% desde o início do ano. O Programa para Alimentação da ONU anunciou esta semana que a situação se tornou tão "dramática" que decidiu manter seus projetos alimentares nas escolas durante as férias de julho e agosto porque, sem comida em casa, muitas crianças contam com as refeições oferecidas nas escolas. A ONU ainda disse que está estendendo seu programa no Haiti para incluir mais 450 mil crianças. Outra evidência que denuncia a dimensão da crise são os milhares de haitianos que cruzam a fronteira com a República Dominicana, onde os bens alimentícios são mais baratos. Segundo relatos divulgados pela imprensa local da pequena cidade fronteiriça de Dajabon, pelo menos 10 mil haitianos vão até o local usufruir dos preços mais baixos. Atualmente um milhão de haitianos vivem na República Dominicana e há temores de que o fluxo contínuo aumente os problemas alimentares enfrentados pelo país. Antes das eleições, em maio, o presidente dominicano, Leonel Fernandez, introduziu um pacote de subsídios para reduzir os crescentes preços dos alimentos. Incertezas Segundo analistas, a raiz da crise alimentar do Haiti está na combinação de uma agricultura de corte e queima que destruiu várias terras do país e a decisão de importar alimentos a partir dos anos 80, quando os preços eram mais atraentes. Ao baixar as tarifas de importação após negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, o país foi invadido por comida barata vindo principalmente dos Estados Unidos. Em troca, o país conseguiu acesso a empréstimos. O Haiti foi um dos primeiros países a chamar a atenção mundial para crise dos alimentos. A atual incerteza política que reina no país adiciona mais um barreira na busca de uma solução. Sem primeiro-ministro, fica mais difícil para o país implementar programas de ajuda e lidar com a inflação crescente. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na semana passada que a atual turbulência política está comprometendo os esforços das autoridades nacionais e da comunidade internacional para restaurar a estabilidade e o desenvolvimento. |
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