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Atualizado às: 02 de junho, 2008 - 21h15 GMT (18h15 Brasília)
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ONU teme politização da crise dos alimentos, diz Amorim

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon (arquivo)
Ban Ki-Moon teria dito a Lula que excessiva politização pode evitar medidas necessárias
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta segunda-feira que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, expressou preocupação com a “excessiva politização” na discussão da crise dos alimentos em encontro reservado com o presidente Lula.

Moon visitou Lula na embaixada brasileira em Roma um dia antes do começo da Conferência da FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentos, que discutirá a crise provocada pela alta mundial do preço dos alimentos.

Segundo Amorim, que participou do encontro, o secretário-geral da ONU quer “evitar que uma excessiva politização do tema impeça medidas que são necessárias para melhorar a produção e o abastecimento de alimentos”.

O presidente discursará nesta terça-feira na abertura da conferência. Um assessor da Presidência disse que Lula deve fazer um “discurso crítico” condenando a alta do preço do petróleo e a especulação como principais fatores da crise.

‘Ponto de vista’

Amorim disse que Lula respondeu a Moon que pretende promover o debate científico sobre o etanol em uma conferência internacional sobre biocombustíveis em 20 e 21 de novembro em São Paulo.

“Nós também não queremos uma politização do tema, nós queremos um debate científico. Evidentemente que fazer um diagnóstico sobre o que é um debate científico e o que é um debate ideológico varia do ponto de vista.”

O ministro disse a jornalistas que não entende a preocupação do secretário-geral da ONU como um recado para o governo brasileiro.

“Depende do ponto de vista. Para nós a excessiva politização são as pessoas que esquecem que há os subsídios agrícolas, o impacto do preço do petróleo e que buscam no biocombustível o fantasma para ser condenado. Agora o que pensava exatamente o secretário-geral, eu não sei”, disse Amorim.

Alta dos alimentos causou revolta no Haiti e outros países
Alta dos alimentos causou revolta no Haiti e outros países

Mais de 30 chefes de Estado discutirão em Roma os fatores que estão causando a alta do preço dos alimentos, que chegou a gerar crises políticas e violência em alguns países.

Vários fatores são associados ao aumento – alta do preço do petróleo, aumento da produção dos biocombustíveis, especulação, queda da cotação do dólar e crescente demanda por alimentos em países emergentes. No entanto, não existe um consenso dentro da FAO sobre o peso de cada um dos fatores.

Brasil e EUA

O governo brasileiro tenta impedir que os biocombustíveis – dos quais o Brasil é um dos principais produtores mundiais – sejam considerados os grandes culpados da crise.

Os Estados Unidos também defenderão os biocombustíveis na reunião da FAO. O secretário americano da Agricultura, Ed Schafer, disse nesta segunda-feira em Roma que o custo da energia e o aumento do consumo mundial de alimentos seriam os principais fatores da crise.

Segundo Schafer, o governo americano acredita que os biocombustíveis correspondam a “menos de 3%” da alta do preço dos alimentos.

No entanto, o secretário americano não pretende criticar as barreiras comerciais, um dos pontos que devem ser atacados por Lula no seu discurso. Segundo Schafer este debate precisa acontecer na Organização Mundial do Comércio, e não no âmbito da FAO.

Antes do encontro com Ban Ki-Moon, Lula recebeu a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Segundo Amorim, o objetivo do encontro foi “intensificar ainda mais” os encontros bilaterais entre os dois chefes de Estado.

Lula irá a Buenos Aires em julho e Cristina Kirchner será convidada de honra do Brasil no dia 7 de setembro. O objetivo dos encontros seria aumentar a cooperação industrial entre os países.

O presidente também se encontrou com o ex-ministro do Exterior da Itália, Massimo D’Alema, um velho amigo, com quem conversou sobre a esquerda na Europa.

Também nesta segunda-feira, o ministro Celso Amorim anunciou que o governo brasileiro deverá fornecer US$ 1,4 milhão em ajuda ao Haiti. Um dos objetivos dos programas financiados pelo Brasil é ajudar o país a enfrentar da emergência provocada pela alta dos alimentos.

*Colaborou Assimina Vlahou, de Roma

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