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Governo aprovou venda de avião da Embraer para Blackwater, diz Jobim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo aprovou a venda de um avião Supertucano da Embraer para a empresa americana Blackwater Worldwide, que presta serviços ao Exército dos EUA no Iraque, em 2006. "Essa questão da venda da Embraer foi aprovada em 2006", afirmou o ministro, em resposta a uma pergunta da BBC Brasil sobre se negócios como o da Blackwater fariam parte da política de defesa que ele defende. "A questão é o Brasil precisa de uma política industrial de defesa? Precisa. Então vamos fazer." O Supertucano foi vendido por US$ 4,5 milhões em dezembro de 2006 e entregue há três meses, em 25 de fevereiro, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Ministério da Defesa afirma que autorizou a venda "após análise prévia do Ministério das Relações Exteriores". "A aeronave foi vendida com a condição de não portar armas nem munição e de destinar-se a demonstração e treinamento de pilotos em território americano, em suporte ao governo dos Estados Unidos – e de não lançar explosivos durante o uso", acrescenta o comunicado. Polêmica A transação foi cercada de muita polêmica porque a Blackwater é acusada de violações contra civis na guerra do Iraque, conflito em que Brasil sempre se mostrou desfavorável. Críticos questionam se a venda não fere o princípio da não-intervenção historicamente defendido pela diplomacia brasileira. Nenhum integrante do governo havia se pronunciado sobre o negócio. Até então, só a Embraer havia se manifestado. De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, o avião foi vendido à EP Aviation, subsidiária da Blackwater, para ser usado em treinamento nos Estados Unidos, não em combate no Iraque. Jobim participou na quinta-feira do Congresso da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde assinou com o presidente da entidade, Paulo Skaf, um acordo para a criação do Fórum Nacional de Defesa, instância de discussões de incentivos a uma "política industrial de defesa". Fórum Nacional de Defesa Segundo informações do Ministério da Defesa, o fórum tem como objetivo discutir formas de incentivar a indústria brasileira de defesa. Por meio de nota, o ministério cita incentivos de R$ 1,4 bilhão e o esperado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Defesa, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar no dia 7 de setembro, como estímulos para uma política industrial da defesa. Numa mesa-redonda sobre política industrial, Jobim disse que desde o fim regime militar, os governos civis deixaram de discutir uma política de defesa e é preciso definir que tipo de tarefas as Forças Armadas devem desempenhar no país. Para Jobim, é preciso agora "otimizar a base industrial da defesa para fins civis e militares". Para cada tarefa, disse, há uma estratégia e uma necessidade de equipamentos específicos. No caso da Amazônia, ele disse que é preciso tanto monitoramento aéreo como presença em terra. O ministro também defendeu a definição de um regime jurídico para permitir a atuação do Exército em conflitos urbanos se for decidido que é isso que o país precisa. "Há vários governadores e setores da sociedade que querem o Exército nas ruas", disse Jobim. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Ativistas dos EUA processam empresa de segurança no Iraque11 de outubro, 2007 | Notícias Seguranças privados são acusados de matar mulheres em Bagdá09 de outubro, 2007 | Notícias Blackwater matou 17 deliberadamente, diz governo iraquiano07 outubro, 2007 | BBC Report Relatório critica empresa de segurança por violência no Iraque02 outubro, 2007 | BBC Report Iraque irá revisar status de empresas de segurança18 de setembro, 2007 | Notícias Iraque cancela licença de empresa de segurança americana17 setembro, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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