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Cerca de US$ 23 bi desapareceram do Iraque após guerra | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma investigação da BBC aponta que uma quantia estimada em US$ 23 bilhões foi perdida, roubada ou simplesmente deixou de ser registrada no Iraque. Pela primeira vez, o tamanho dos lucros de empreiteiros privados conseguidos com o conflito e a reconstrução do país foram pesquisados, a partir de fontes dos governos dos Estados Unidos e do Iraque, pelo programa de televisão Panorama, exibido pela BBC na Grã-Bretanha. Uma ordem judicial nos Estados Unidos proíbe a discussão das alegações. A ordem se aplica a 70 casos judiciais contra algumas das maiores companhias americanas. A oposição democrata americana continua pressionando o governo a respeito dos lucros conseguidos no Iraque. "O dinheiro que foi desperdiçado, que fez parte de fraudes ou abusos sob estes contratos, é escandaloso, é chocante", diz Henry Waxman, presidente do Comitê de Vigilância e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. "Pode ser o maior lucro com guerra da história." Concorrência Enquanto George W. Bush permanecer na Presidência americana é improvável que a ordem judicial que proíbe as discussões seja suspensa. Até o momento, nenhum grande empreiteiro americano enfrenta julgamento por fraude ou má administração no Iraque. Antes da invasão do país, uma das mais importantes autoridades responsáveis pelas aquisições do Pentágono levantou objeções a um contrato de valor potencial estimado em US$ 7 bilhões dado à Halliburton, companhia texana que era liderada por Dick Cheney antes de ele assumir o cargo de vice-presidente americano. Diferente do que normalmente ocorre, apenas a Halliburton disputou e venceu a concorrência. Desvio
A busca pelos bilhões desaparecidos também levou a reportagem da BBC a uma casa em Acton, no oeste de Londres, onde Hazem Shalaan viveu até ser indicado para o cargo de ministro da Defesa pelo novo governo iraquiano em 2004. Shalaan e seus associados são acusados de desviar cerca de US$ 1,2 bilhão do ministério. Eles teriam comprado equipamentos militares antigos da Polônia e alegado que eram equipamentos de última geração, com o objetivo de desviar o dinheiro para suas próprias contas. Shalaan foi condenado a duas penas de prisão, mas fugiu do Iraque. Ele afirmou que é inocente e que as acusações fazem parte de um plano contra ele de parlamentares iraquianos que são pró-Irã. Existe uma ordem de prisão para Shalaan, da Interpol, mas ele permanece fugindo pelo mundo a bordo de um jato particular. Shalaan ainda é proprietário de imóveis comerciais na área de Marble Arch, uma região cara de Londres. O juiz Radhi Al-Radhi, da Comissão para Integridade Pública do Iraque, investigou o caso. "Creio que estas pessoas são criminosas", disse à BBC. "Eles não reconstruíram o Ministério da Defesa e, como resultado, a violência e derramamento de sangue continuaram", acrescentou. "O assassinato de iraquianos e estrangeiros continua, e eles têm responsabilidade", acrescentou. |
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