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África do Sul estuda usar Exército para conter ataques a estrangeiros | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da África do Sul está cogitando enviar o Exército para ajudar a combater uma onda de ataques contra imigrantes que já deixou 23 mortos. Um dos membros do partido governista, o Congresso Nacional Africano (CNA), disse que a hipótese de mobilizar o Exército "não pode ser descartada". "A situação é horrenda e temos de intervir com rigor", disse Mbhazima Shilowa. Enquanto a decisão não é tomada, o governo tenta amenizar a tensão com o envio de reforços policiais para as áreas que concentram os maiores focos de violência. O presidente Thabo Mbeki disse que os policiais chegariam "à raiz da anarquia". A violência contra os estrangeiros já se espalhou para outras quatro áreas de Johanesburgo. Estima-se que 13 mil imigrantes tenham fugido de suas casas com medo de represálias. Abrigos Nos últimos ataques, dois moçambicanos que trabalhavam como mineiros teriam sido espancados até a morte. A ministra do Interior, Novisiwe Mapisa-Nqakula, prometeu que nenhum imigrante ilegal será deportado enquanto os ataques não cessarem. O ministro da Segurança, Charles Nqakula, disse que os que abandonaram suas casas terão direito a abrigos. Segundo a polícia, 40 pessoas foram presas durante a noite, somando-se às outras 250 que foram detidas nos últimos três dias. O secretário-geral do Conselho Nacional Africano, Gwede Manrashe, disse ter conversado com o principal partido de oposição ao governo, o Partido da Liberdade Inkatha. Segundo Manrashe, a maioria dos ataques estaria acontecendo em zonas habitadas por partidários da oposição, que negam qualquer envolimento nos episódios. Problemas sociais A onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros". Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Malauí fugiram para bairros próximos. Casas foram queimadas e lojas saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade. Desde o fim do apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção. Mas eles acabaram sendo considerados por muitos como responsáveis por alguns dos problemas sociais da África do Sul, como a alta taxa de desemprego, a falta de moradia e um dos níveis de criminalidade mais altos do mundo. Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques. "Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse Zuma. |
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