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Atualizado às: 18 de abril, 2008 - 11h19 GMT (08h19 Brasília)
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Capoeira ajuda libaneses a suportar traumas da guerra

Arbi Sarkissian (dir.) e Jackson Allers preparam-se para a roda. Foto: Tariq Saleh
Arbi Sarkissian (dir.) e Jackson Allers preparam-se para a roda
Levada por um americano a Beirute, a capoeira brasileira ajudou libaneses a suportar os horrores da guerra.

O antropólogo americano Arbi Sarkissian, de origem armênia, introduziu a capoeira no Líbano no início de 2006. Durante a guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2006, que devastou o sul do país e atingiu Beirute com bombardeios aéreos e navais, muitos alunos fugiram do Líbano ou se refugiaram em regiões mais seguras.

Mas mesmo em meio à guerra, quatro libaneses se reuniam para continuar praticando, e acabaram fundando o "Capoeira Sobreviventes", que conta até com uma comunidade no site de relacionamentos Facebook.

"A gente ficava deprimido com a guerra, com toda aquela destruição e mortes. Naqueles momentos, a capoeira ajudou a gente a manter nossa mente e espírito", disse a profissional em marketing Cynthia Daher, uma das "sobreviventes".

Sucesso

Sarkissian conta que no início o grupo era pequeno, mas que aos poucos o interesse foi aumentando: "Havia um grupo de amigos libaneses, que chamamos de núcleo. Eles tomaram gosto pela capoeira e começamos a fazer apresentações em casamentos e festas".

Atualmente, o grupo conta com 20 alunos, inclusive três americanos.

Sarkissian dedica cinco dias da semana para ensinar a luta e dança brasileira para alunos de nível iniciante e intermediário.

Ele aprendeu capoeira no ano 2000 quando conheceu mestres brasileiros em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele conta que desde que começou a se interessar pela capoeira, a paixão pela cultura brasileira – principalmente a baiana – só aumentou.

"Eu havia feito o curso de Estudos Latino-Americanos na Universidade, estudando espanhol e português. Quando conheci os mestres brasileiros, fui convidado a praticar a capoeira e simplesmente me apaixonei".

Roda de capoeira em Beirute. Foto: Tariq Saleh
Os alunos fazem rodas em locais públicos

Após visitar a Bahia duas vezes em 2005, para se aperfeiçoar no português e na capoeira, Sarkissian decidiu introduzir a arte em um país onde o Brasil é muito apreciado – o Líbano.

Relaxamento

Segundo Sarkissian, o relativo sucesso do grupo se deve à visão das pessoas de que a capoeira pode ser uma forma de relaxar, exercitar e, acima de tudo, de se divertir.

Cynthia Daher. Foto> Tariq Saleh
Cintia diz ser apaixonada pela cultura do Brasil

Depois da guerra, os alunos retornaram, assim como as aulas de capoeira.

"O que me surpreendeu é que ninguém abandonou, todos voltaram e o grupo aumentou", destacou Sarkissian.

De acordo com ele, os libaneses recebem muito bem as apresentações, às vezes feitas em praças e mercados públicos.

Amor pelo Brasil

Outro praticante, o escritor americano Jackson Allers disse que há uma atração natural pela cultura brasileira.

"Muitos países têm um amor pelo Brasil, não apenas pelo seu futebol, mas também por sua arte, dança e música", afirmou Allers à BBC Brasil.

Sarkissian também ministra oficinas em que os alunos fabricam seus próprios berimbaus e outros instrumentos da capoeira. Além disso, alguns praticantes tentam aprender o português.

Alunos aprendem a fazer berimbaus. Foto: Tariq Saleh
Os alunos aprendem a produzir berimbaus

"Nós memorizamos as canções usadas na capoeira, mas eu precisava aprender o significado, queria aprender o idioma", disse Daher.

Nas noites de sexta-feira, um pequeno grupo se reúne para aprender português com o professor brasileiro Richard de Araújo, que está no Líbano por meio de um acordo entre os governos libanês e brasileiro para ensinar o idioma em um universidade pública.

"Dou aulas particulares para alguns praticantes de capoeira e outros que querem apenas aprender o idioma", explicou Araújo.

Para Daher, é emocionante começar a entender o significado do que canta nas rodas de capoeira.

"Acho o português um idioma muito bonito e poético, estou apaixonada pelo Brasil", salientou.

Manneken-Pis vestido de capoeirista (Foto: Márcia Bizzotto / BBC Brasil)Manneken-Pis
Estátua símbolo de Bruxelas ganha roupa de capoeirista.
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