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Bird quer 'expertise' do Brasil para aplacar fome na África | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, disse nesta quinta-feira que está discutindo uma parceria com o governo do Brasil para usar o conhecimento técnico do país em agricultura para aplacar a fome na África Subsaariana. "O governo brasileiro propôs trabalhar conosco e oferecer um pouco de sua expertise em pesquisa agrícola, particularmente na África subsaariana", afirmou Zoellick. "Queremos agir com rapidez nesse tema." De acordo com o chefe do Bird, a África Subsaariana corre o risco de não conseguir cumprir nenhuma das Metas do Milênio - o conjunto de diretrizes fixadas pela ONU que visam até o ano de 2015 erradicar a pobreza extrema, reduzir a mortalidade infantil e garantir a sustentabilidade ambiental, entre outros objetivos. Os comentários do chefe do Bird foram feitos nesta quinta-feira, em Washington, durante uma entrevista coletiva que antecede a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Bird. "Encontros como este normalmente são só sobre conversas, mas não podemos nos dar por satisfeitos com estudos, relatórios e conversas", disse Zoellick. O chefe do Bird acrescentou que a alta mundial de preços de alimentos obriga todos a "reconhecer que existe uma crescente emergência". Pão e arroz Para ilustrar a gravidade do momento atual, Zoellick tomou uma iniciativa pouco ortodoxa. Ao falar sobre o aumento de preços de arroz e do trigo, puxou debaixo de sua mesa um saco de arroz e um pão, o que rendeu um forte pipocar de flashes de câmeras fotográficas. Zoellick voltou a pedir que países contribuam para suprir o rombo de US$ 500 milhões enfrentado atualmente pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU. No entender do presidente do banco, isso poderia aplacar situações como a do Haiti, que enfrenta uma série de protestos violentos por conta da fome. "No Haiti, o Programa Mundial de Alimentos pediu por US$ 70 a 80 milhões adicionais", afirmou. "Eles contam com cerca de US$ 17 milhões. E o país está vivendo motins, pessoas estão ameaçando o governo, porque estão com fome." Alta de preços De acordo com Zoellick, há inúmeros motivos para a alta de preços de alimentos, entre eles mudanças nos hábitos alimentares globais, diferenças de renda e, por vezes, questões ambientais, como secas e enchentes. "Mas o que torna tudo mais complicado é o fato de que os estoques de alimentos estão muito baixos. É semelhante ao que se vê nos mercados de energia, nos quais a capacidade de expandir é bem limitada." O chefe do Bird avalia que uma das maneiras de contornar a atual crise se dará com a conclusão da Rodada de Doha de liberalização comercial e voltou a destacar o papel brasileiro. "O Brasil tem sido um importante agente nas negociações de Doha", disse. "É muito importante restaurar a economia mundial e ajudar a pôr fim aos impedimentos representados por subsídios e tarifas." Barreiras Zoellick retomou o tema das barreiras comerciais ao tratar de biocombustíveis. "Os biocombustíveis cumpriram papéis distintos, um deles é o de responder aos altos preços de combustível, mas as pessoas precisam ver com a atenção os efeitos que eles podem exercer sobre o preço de alimentos." O presidente do Bird fez uma referência ao programa de biocombustíveis dos países ricos como os Estados Unidos ao dizer que alguns precisam "levar em conta se os subsídios fazem sentido, se cobrar tarifas faz sentido, do ponto de vista econômico". Os americanos oferecem subsídios para o programa de etanol do país e cobram tarifas de US$ 0,54 sobre o etanol que importam do Brasil. "As informações de que disponho sugerem que os biocombustíveis à base de cana-de-açúcar do Brasil oferecem os maiores benefícios tanto em termos de combustível como ambientais", afirmou Zoellick. "Em se tratando de produtos como biocombustíveis, é importante distinguir seus diferentes aspectos.'' |
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