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Atualizado às: 24 de março, 2008 - 14h02 GMT (11h02 Brasília)
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Bengaleses comem ratos que devastaram lavouras

Sangram caçando os ratos
Sangram caçando os ratos que alimentam a família
Moradores da região de Chittagong, em Bangladesh, na fronteira com a Índia e Mianmar, estão sendo obrigados a comer ratos depois que eles invadiram a área e devastaram plantações inteiras.

Sangram, um caçador de ratos que mora no remoto vilarejo de Theihkyong, nunca esteve tão ocupado e nunca viu seu trabalho ser tão importante como agora.

Os campos que cercam o local foram varridos por um exército de roedores que teriam entrado em Bangladesh vindos da Índia.

Mas além de ser a fonte de renda do bengalês, os ratos também viraram a refeição da família. Ele, a mulher e os filhos comem duas panelas de ratos defumados todos os dias. Como acompanhamento, raízes selvagens colhidas na floresta.

"Minha mulher, meus cinco filhos e eu normalmente comemos arroz, mas os ratos destruíram tudo", diz ele.

"Tudo que sobrou foram os ratos e essas batatas selvagens."

O caçador instala as ratoeiras feitas de bambu ao longo das cercas vivas que separam as lavouras.

Ele percorre as cercas carregando uma cesta onde ele coloca os roedores de cor marrom-clara.

Crise

No centro da comunidade, que conta apenas com duas igrejas e uma escola comunitária, os moradores se reúnem para mostrar enormes cestos com rabos de rato secos.

Eles os guardaram como prova da crise enfrentada pelo vilarejo.

"Estamos vivendo um grande problema e queremos que as pessoas saibam disso", disse o padre Lal Jinja.

"Esperamos que ao verem esses rabos de rato as pessoas entendam nosso sofrimento."

O governo e agências humanitárias estão finalmente começando a se dar conta do problema, que já ultrapassa os limites de Theihkyong.

De acordo com uma agência da ONU que atua no país, cerca de 125 mil pessoas já foram afetadas pela falta de comida e pela infestação dos ratos.

Alguns já começaram a receber ajuda, mas a menos que uma operação humanitária seja colocada em prática, os bengaleses da região correm o risco de perderem o contato com o mundo e ficar sem comida durante meses.

Semente de bambu

A invasão dos ratos acontece normalmente a cada 50 anos, quando florescem as florestas de bambu que cobrem a região.

As sementes de bambu são ricas em proteínas, e quando ingeridas pelos ratos, fazem com que se reproduzam quatro vezes mais do que o normal.

Após comerem todas as sementes, a superpopulação de roedores invade as lavouras e destrói o que vê pela frente.

A última invasão de ratos na região aconteceu em 1959, perto da fronteira com a Índia.

Sem ajuda do governo, os moradores se revoltaram e fizeram uma rebelião que durou 20 anos.

Algumas pessoas ainda relembram a última invasão dos roedores.

"Os ratos eram grandes como porcos", diz Raja Chowdry, de 93 anos.

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