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Atualizado às: 08 de abril, 2008 - 07h51 GMT (04h51 Brasília)
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A martelada do estrategista

Lucas Mendes

Mais um prego no caixão de Hillary Clinton, desta vez vindo do seu estrategista chefe, Mark Penn, que está com Bill Clinton desde a reeleição em 96.

Foi quem bolou a campanha para atrair os votos das mães suburbanas que levavam os filhos para o "soccer", o "chip" para censurar violência na TV e a favor dos uniformes para as escolas públicas.

Penn foi afastado porque fazia lobby do governo colombiano para aprovar o acordo comercial que Hillary Clinton e Barack Obama combatem mais por conveniência política do que interesses americanos.

Ele também foi demitido pelo governo colombiano, porque o acordo claudica em Washington.

Os americanos se beneficiaram da maioria destes acordos de comércio internacional, mas em Estados economicamente deprimidos, como Ohio e na Pensilvânia, globalização e acordo comercial são sinônimos de desemprego.

Obama perdeu votos em Ohio quando descobriram que seu assessor econômico estava acariciando os canadenses, e agora a senadora corre risco parecido na Pensilvânia, onde precisa de uma vitória arrasadora.

Sem esta vitória na Pensilvânia, há duas possibilidades. Numa, ela sai elegantemente em maio com um discurso de apoio a Obama e o partido entra em ritmo de festa.

A segunda possibilidade é dela brigar até Denver, e deixar o partido em cacos na convenção de agosto.

O estrategista Mark Penn era a favor de bater firme em Obama. Preferiu promover a senadora como experiente, competente, e achava desnecessário "humanizar" a candidata, como queriam alguns assessores.

Muitos partidários de Hillary acham que foi aí que ele perdeu o tema da "mudança", que pegou nesta campanha e deslanchou Barack Obama. Acham que o estrategista já vai tarde, infelizmente, tarde demais para mudar a mensagem da campanha.

Está cada dia mais difícil Hillary escapar do caixão mas, além de grandes vitórias na Pensilvânia, Virgínia Ocidental, Kentucky, Indiana e Porto Rico, onde ela é favorita, há dois balões de oxigênio que podem salvar a senadora: Michigan e Flórida.

Os democratas não chegam a um acordo sobre como contar os votos dos dois Estados, e Obama com seus advogados bloqueiam todas as alternativas que favorecem Hillary.

Nos dois Estados a senadora ganhou com boa margem, mas ambos foram punidos pelo partido porque, contrariando decisões da direção, anteciparam as datas das suas primárias.

Obama concorda com uma divisão de votos na Flórida, na base do meia a meia. Ele acha que tem direito inclusive aos votos dos outros candidatos que ainda estavam no páreo.

Proposta mafiosa. Em Michigan, seus advogados bloquearam a tentativa de aprovar uma lei na assembléia para convocar uma nova primária.

Com a inclusão dos votos dos dois Estados a vantagem de Obama no voto popular cairia para apenas 94.005 dos 27 milhões ja contados, e a diferença em número de delegados comprometidos seria reduzida a cerca de 30 em vez de quase 200. A senadora estaria em condições de brigar pelos superdelegados.

O outro complicador é o sistema do voto proporcional do Partido Democrata. Com certeza mais democrático, mas na eleição presidencial em novembro, o voto será contado como sempre foi, pelo sistema usado pelos republicanos nas primárias.

O vencedor, mesmo que seja por um voto, leva o Estado inteiro. Se fosse assim no Partido Democrata, Hillary estaria com 2.107 delegados, sem incluir os super.

Se conseguir grandes vitórias nas próximas cinco das dez primarias, haja prego para fechar o caixão da senadora.

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