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Conto do vigário | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Foi o melhor discurso de Obama. Ou foi o pior? Foi sobre raça e racismo. Barack Obama propôs "uma conversa nacional" sobre a questão racial. A maior parte do país não entendeu qual o objetivo. Foi semana passada e desde então domina o debate político na imprensa, nas igrejas e nas universidades, mas nenhum americano convidou outro para ir ao bar tomar uma cerveja e conversar sobre raça. Tomam cerveja e perguntam: qual é a do Obama? Afinal, o próprio senador, ainda deputado, no discurso que deu a ele projeção nacional durante convenção do partido democrata em 2004, disse que "não existe uma América Branca, nem uma América Negra. Existem Estados Unidos da América". Aplaudido de pé. Assunto encerrado. De onde veio esta conversa nacional sobre racismo? Veio do reverendo Jeremiah Wright de Chicago e ele é importante porque há vinte anos guia o espírito do senador, foi a fonte de inspiração do livro "Audácia da Esperança", foi quem atraiu Obama para o cristianismo, quem celebrou o casamento do senador e batizou os filhos dele com Michele. Este amigão e inspirador, que também consolou o presidente Johnson e foi recebido por Clinton na Casa Branca, fez comentários que arrepiaram os americanos. Entre eles: “o vírus da Aids foi criado pelo governo para eliminar as minorias pobres”; depois dos ataques às torres, ele usou uma expressão equivalente a "estamos colhendo o que semeamos"; “não devemos dizer Deus abençoe a América e sim, Deus amaldiçoe a América”; “sionismo é elemento do racismo branco". Há outros. Com freqüência se inspira na Teologia da Libertação Negra, sua igreja Trinity em Chicago tem mais de 10 mil fiéis e Barack Obama não podia mais ignorar as cobranças sobre suas conexões com o reverendo. Daí veio o discurso chamado “A More Perfect Union”, “Uma União Mais Perfeita”, e aqui união tem sentido duplo de país e sociedade. O senador disse que não concorda com muitos comentários do reverendo da mesma maneira que tinha arrepios com os comentários racistas da avó branca sobre jovens negros, mas nem por isto romperia com o reverendo, como não rompeu com a avó. Nas últimas seis décadas houve enorme progresso na questão racial nos Estados Unidos. O racismo não está morto, mas caminha para a cova a passos largos. Com o país à beira de uma recessão, crescente desemprego, milhares perdendo casas e pedindo falência, milhões sem seguro de saúde, pilhas de contas não pagas, gasolina entre US$ 3 e US$ 4 o galão, uma guerra sem solução, a questão racial não aparece em nenhuma lista das preocupações dos eleitores. Hillary se lembra quando o marido, em 1997, anunciou com fanfarra que ia liderar o povo americano “numa conversa nacional sem precedentes sobre raça". Repercussão zero, assunto morto. Enquanto o brilhante orador Obama faz contorções verbais sobre raça, a senadora e o republicano McCain se divertem sem abrir a boca. As pesquisas desta semana vão nos mostrar o impacto do conto do vigário Jeremiah na campanha de Barack Obama. |
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