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Ruralistas rejeitam novo apelo de Cristina Kirchner | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os produtores rurais argentinos rejeitaram nesta segunda-feira um novo apelo feito pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para que encerrem a paralisação que já se estende por 19 dias. O governo também anunciou um pacote de medidas para beneficiar os pequenos produtores rurais. O protesto do setor rural, motivado pelo aumento nos impostos sobre as exportações agrícolas, inclui o bloqueio de estradas e provoca desabastecimento no país e problemas nas indústrias, que aguardam caminhões carregados que ficaram parados no meio do caminho. “Em nome de todos os argentinos (...), em nome das indústrias, das pequenas e médias empresas (...), peço uma vez e pedirei quantas vezes seja necessário que, por favor, liberem os caminhos e, por favor, pensem como parte de um país e não como proprietários”, disse Cristina Kirchner em uma cerimônia na Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina. “Argentinos, as portas do governo estão abertas a todos os setores para dialogar (...). Mas negociar não significa 'ou se faz o que eu digo ou não se faz'”, disse a presidente, em um discurso transmitido ao vivo pela TV, o terceiro em menos de uma semana para falar sobre a paralisação rural. A principal reivindicação do setor rural é a suspensão do aumento dos impostos, anunciado no último dia 11 e que atinge principalmente a produção de soja e de girassol. O governo já afirmou que não pretende revogar a medida. Cristina disse que a soja é hoje o grão mais cultivado na Argentina, mas que somente 5% ficam com os argentinos. "A soja é quase igual a capim, porque pega em qualquer lugar. (...) Isso não é uma crítica (...), mas não faz parte do cardápio alimentar dos argentinos", disse a presidente. Pacote para os pequenos Pouco antes do discurso da presidente, o ministro da Economia, Martín Lousteau, havia anunciado um pacote que pretende beneficiar os pequenos produtores rurais. São sete medidas que, segundo o governo, vão beneficiar os agricultores que produzem menos de 500 toneladas. Entre as medidas estão a liberação das exportações de trigo e a criação de uma subsecretaria rural, além da devolução dos impostos às exportações de soja e girassol. Pelos cálculos do governo, 80% dos produtores serão beneficiados pelo pacote. Paralisação mantida No entanto, apesar do anúncio do pacote e do apelo da presidente, as quatro principais organizações do setor rural da Argentina voltaram a afirmar, em entrevista à imprensa, que a paralisação será mantida até quarta-feira, como anunciado na semana passada. “O governo não está entendendo o que está acontecendo com o nosso setor. O problema é grave e esses impostos só fazem empobrecer ainda mais nossos produtores. O negócio fica inviável com essa carga de impostos”, disse o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi. “E essa reposição que prometem aos pequenos produtores não será total, como eles esperavam”, afirmou. Durante toda a segunda-feira, o policimanto foi reforçado nas estradas, por determinação do ministro da área, Aníbal Fernández. Soldados da chamada “Gendarmeria” (polícia de fronteiras) ocuparam as laterais da rodovia 14, na localidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, por onde passam os caminhões que chegam do Brasil e do Uruguai. Houve um rápido confronto entre ruralistas da região e policiais, mas os caminhões passaram, ora por ali ou por um desvio mais distante. À noite, as emissoras de televisão C5N, canal 26 e TN (Todo Notícias) mostraram que os produtores rurais pretendiam permanecer nas estradas – com bloqueios totais ou parciais. A paralisação dos produtores levou a presidente argentina a suspender uma viagem que faria nesta semana a Londres, na Inglaterra. Nesta terça-feira, Cristina Kirchner deverá fazer um discurso na Praça de Maio, no qual a expectativa é de que vá falar em defesa do diálogo nacional. |
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