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Atualizado às: 28 de março, 2008 - 21h32 GMT (18h32 Brasília)
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Ruralistas suspendem greve depois de 16 dias na Argentina

Bloqueio de estrada em Tamil, Argentina (28/03/2008)
Protesto começou depois que governo aumentou impostos agrícolas
O setor rural argentino anunciou, nesta sexta-feira, a suspensão do bloqueio das estradas, após 16 dias de protestos que provocaram longas filas de caminhões e desabastecimento nos supermercados em vários pontos do país.

No fim da tarde, quatro organizações ruralistas – Sociedade Rural, Coniagro, CRA e Federação Agrária - divulgaram um comunicado com o título “O diálogo exige esforços”.

No texto, as organizações afirmam que as estradas serão liberadas, mas que o setor continuará em “alerta” e “com mobilizações” na beira da estrada.

Algumas estradas já foram desobstruídas e caminhões com alimentos voltaram a trafegar normalmente.

Após a divulgação do comunicado, representantes dos ruralistas se reuniram com o chefe de gabinete da Presidência da República, Alberto Fernández, e o ministro da Economia, Martín Lousteau.

A expectativa era que o governo oferecesse um pacote de medidas compensatórias para o setor rural e especulava-se que poderia ser revisto o aumento dos impostos às exportações agrícolas.

Foi este ajuste, anunciado por Lousteau no dia 11, que provocou o protesto do setor rural. Mas ainda existem dúvidas se a adesão ao fim da greve será plena, já que muitos produtores, especialmente os pequenos, não estão ligados a nenhuma das quatro organizações agrárias.

A trégua das entidades ruralistas e a reunião com o governo foram anunciadas cerca de quatro horas depois do discurso da presidente Cristina Kirchner, nesta sexta-feira.

Cristina disse que “é preciso discutir o modelo de país” que se quer construir na Argentina.

“Aprendi que um país não é construído por um partido ou um setor, mas entre todos”, declarou. “Nossa política é a de buscar melhor distribuição de renda”.

A presidente não citou o protesto do setor agrário, mas seu discurso foi interpretado pela imprensa argentina como tendo um “tom conciliador”.

Na quinta-feira ela havia pedido a suspensão da paralisação do setor rural para que pudesse ser aberto o diálogo entre o governo e representantes ruralistas. Na ocasião, Cristina disse “por favor” cinco vezes ao pedir “humildemente” a suspensão do protesto do setor rural.

Pouco depois do discurso desta sexta-feira, os produtores rurais sinalizavam, segundo as emissors de TV do país, que poderiam dar uma trégua de 48 horas ao governo, na tentativa de se chegar a um entendimento neste prazo.

Na localidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, o trânsito foi liberado por apenas três horas, até a noite desta sexta-feira, para os caminhões carregados de alimentos.

“Liberaremos a estrada por três horas para deixar passar os caminhões que estão na fila (alguns desde segunda-feira). Mas fazemos isso para que a presidente veja que não somos insensíveis como ela pensa. Ou seja, a greve não acaba, mas damos este prazo”, disse Alfredo de Angeles, porta-voz dos ruralistas de Gualeguaychú.

Região onde predominam pequenos produtores, Gualeguaychú representava, segundo os representantes rurais, o maior foco de resistência ao fim do protesto antes de uma oferta concreta do governo.

Antes mesmo da divulgação do comunicado, outras estradas, como a rodovia 7, de Córdoba, já tinham suspendido o bloqueio, segundo a imprensa local, e outras, como as rodovias 9 e 14, o tráfego tinha sido aberto aos carros de passeio e caminhões sem mercadorias agrícolas.

Divisão

O processo de negociações anterior à declaração da trégua expôs uma divisão entre as entidades do setor rural. Representantes das quatro organizações passaram o dia em reuniões e em telefonemas com assessores do governo.

A Sociedade Rural e a Coniagro inclinavam-se a dar uma trégua. Mas outras duas entidades, a CRA e a Federação Agrária (que reúne, principalmente, os pequenos produtores) resistiam ao fim da manifestação.

Antes de Cristina discursar, nesta sexta-feira, o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, disse que a greve continuaria porque não estava claro se o governo desistiria ou não do aumento dos impostos às exportações do setor agrícola.

A greve acabou sendo suspensa no fim da tarde, após trocas de telefonemas e aparentes indicações de que o governo atenderá a pedidos antigos dos ruralistas.

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