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Atualizado às: 26 de março, 2008 - 00h30 GMT (21h30 Brasília)
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Panelaço contra governo se espalha por cidades argentinas

Panelaço em Buenos Aires
Protestos tomaram ruas da capital e de províncias argentinas
Os argentinos saíram às ruas com panelas na mão na noite desta terça-feira para protestar contra o aumento dos impostos às exportações do setor agropecuário – o principal braço da economia da Argentina.

As manifestações incluem buzinaços e tomaram as principais praças e esquinas da capital federal, Buenos Aires, além de outros pontos do país, como as províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba, Tucumán e Salta.

Segundo as principais emissoras de televisão da Argentina, como América TV, canal C5N, Canal 9, Cronica e TN (Todo Notícias), os protestos desta terça-feira foram os maiores contra o governo da presidente Cristina Kirchner e da administração anterior, a gestão do seu marido, Néstor Kirchner (2003-2007).

Cristina Kirchner assumiu o governo em dezembro passado, há pouco mais de 100 dias.

Controntos

As manifestações continuavam na madrugada desta quarta-feira e manifestantes contra e a favor do governo afirmaram que os protestos seriam mantidos pelo menos até o amanhecer. Mas uma chuva forte que caiu de madrugada poderia atrapalhar estes planos.

Pouco antes, uma multidão ocupou também a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede da Presidência da República. A Praça é conhecida como “tambor nacional”, por costumar estar em sintonia com manifestações do restante do país.

Famílias inteiras tomavam a praça com panelas na mão e cartazes que diziam: “apoio ao campo”. Alguns gritavam: “que se vaya” (‘fora’), contra o governo.

Até que colunas de simpatizantes do governo entraram a pé na praça, provocando correrias entre os demais.

“A Praça é nossa”, dizia Luis D’Elia, líder do movimento Federação Terra e Casa (na sigla em português), que apóia o governo. “A Praça não é dos bairros ricos, como Recoleta, que estão fazendo esses panelaços a favor dos que só ganharam nos últimos anos.”

Houve socos, pontapés e alguns feridos leves. Os que protestavam contra o governo caminharam para outro ponto da cidade.

'Protestos da abundância'

Na TN, um analista da emissora dizia: “O governo deve começar a se perguntar o que fazer para que isso não seja o início do fim. (...) Existe um Luis D’Elia que está aqui na cidade, mas os protestos estão em várias partes do país e não é possível controlá-los com grupos simpáticos ao governo”.

Panelas na mão, mesmo debaixo de chuva, moradores gritavam “O povo unido jamais será vencido” em frente à residência presidencial de Olivos, a cerca de uma hora do centro de Buenos Aires.

Mais cedo, Cristina Kirchner tinha criticado o protesto do setor agropecuário contra as medidas do seu governo.

"São protestos da abundância", disse Cristina Kirchner. "São os protestos dos setores mais ricos da Argentina."

Os panelaços, conhecidos na Argentina como “cacerolazos”, marcaram a queda do ex-presidente Fernando de la Rúa em 2001.

Setor agropecuário

Os protestos ganharam força, nesta terça-feira, assim que Cristina Kirchner concluiu o discurso, na Casa Rosada, sede da Presidência da República, criticando a paralisação do setor agropecuário contra as medidas do governo.

“O setor agropecuário foi o que mais registrou rentabilidade desde 2001”, disse. “Não vou me submeter a nenhum tipo de extorsão.”

O discurso da presidente foi mostrado ao vivo pela TV pouco depois que as organizações que representam o setor agropecuário anunciaram que manterão a greve e os tratores nas estradas do país por tempo indeterminado.

A paralisação dos ruralistas – pequenos, médios e grandes – começou há 13 dias e foi intensificada na segunda-feira.

“Nosso protesto é para ver se assim conseguimos uma discussão com esse governo, que não dialoga com ninguém. E se recusa a sentar para discutir com a gente também”, afirmou Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina (FAA).

O ministro da Economia, Martín Lousteau, criticou, nesta terça-feira, a greve do setor agropecuário, que já provoca falta de alimentos nos supermercados do país.

“Não vamos voltar atrás (...) Aqui, os produtores argentinos ganham 15% mais do que se ganha no Brasil”, disse o ministro.

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